Polí­tica

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A procura por cursos de licenciatura cresce em um ritmo muito lento no Brasil: o aumento do interesse na área entre 2011 e 2012 foi de apenas 0,8%. O baixo índice se reflete na Educação básica da rede pública, que apresenta um déficit de 170 mil docentes. Os dados do Censo do Ensino Superior 2012, divulgados em setembro, mostram que, no mesmo período, a procura por bacharelados subiu 4,6%, enquanto a busca por tecnológicos, 8,5%. Do total, apenas 19,1% dos matriculados representam licenciaturas.

Para a deputada federal professora Dorinha Seabra Rezende (Democratas/TO), essa redução é reflexo da falta de incentivo aos profissionais da educação. “Nós temos um piso que não é cumprido pela maioria dos municípios, alguns estados também têm dificuldade. E a União tem a responsabilidade legal de complementar o repasse para garantir o cumprimento da lei do piso, mas não faz, criando mecanismos para dificultar e não tem nenhum instrumento legal para isso”, disse.

Outro fator que desestimula o jovem pela carreira docente, segundo a parlamentar é a questão salarial que não é atrativa, além da falta de estruturação da carreira. “Como é que podemos querer que os jovens que estão concluindo o ensino médio e buscando entrar no mercado de trabalho ingressem numa profissão que não tem reconhecimento nem política pública a médio ou longo prazo”, questionou.

Dorinha destacou a falta de professores em algumas disciplinas específicas como Física, Química e Biologia. “Ou nós temos professores de outras áreas dando aula sobre o que não é da sua especialidade ou estudantes passando de ano sem ter tido aula dessas disciplinas. O pior é que isso está ampliando para outras áreas que não havia problema, que tinha uma boa oferta”, afirmou.

Segundo a deputada, a educação só voltará a trazer resultados realmente positivos se for encarada como uma questão estratégica e prioritária. “Se a carreira docente não for encarada com a importância devida e se a União não ampliar a sua participação nos repasses e complementações de recursos, estados e municípios não vão conseguir atrair professores e o que teremos será o verdadeiro caos instalado na educação básica. Sem uma boa educação básica o ensino superior será cada vez pior e o Enade já está mostrando isso. O ensino superior brasileiro, infelizmente, tem resultados pífios”.