Turismo & Lazer

Foto: Frederick Borges Arraias está localizada na região sudeste do Tocantins Arraias está localizada na região sudeste do Tocantins
  • Dianópolis está localizada na região sudeste do Estado
  • Igreja Nossa Senhora dos Pretos em Natividade

A região conhecida por Serras Gerais reúne antigas cidades do estado e representa boa parte da história desta região do Brasil que já foi Capitania de São João das duas Barras e norte do Estado de Goiás. Entre os principais municípios, destaque para as cidades de Natividade, Arraias e Dianópolis, que contam através dos casarios, igrejas e ruínas, a história desse Estado e de seu povo.  São memórias da época do Brasil Colônia, do movimento de emancipação do Tocantins, de cultura popular e festas religiosas.

Distante 200 km da capital, Natividade revela em sua arquitetura colonial a influência de portugueses e franceses na época da mineração. Por volta de 1734, a cidade foi considerada um dos maiores arraiais da Capitania de Goiás, o que lhe rendeu projeção política e econômica. Nesta cidade, tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), um dos passeios que o turista deve fazer é pelas ruínas seculares da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construção iniciada pelos escravos no século XVIII, mas que não chegou a ser concluída.

Ainda em Natividade o visitante pode conhecer o Museu Histórico, onde funcionava uma antiga cadeia na época do Império. Neste local, fica o centro de Artesanato e Apoio ao Turista e funciona a oficina de Ouriversaria Mestre Juvenal. Para os que gostam de joias, os nativitanos são especialistas em trabalhar peças em filigrana portuguesa, técnica que sobreviveu ao ciclo do ouro. Misturando ouro e prata produzem obras de arte que podem ser expostas como pulseiras, colares, anéis e brincos.

E quem vai a Natividade não pode deixar ainda de se deliciar com a gastronomia regional. Paçocas, arroz sirigado (uma mistura de arroz com carne de sol), bolos, doces, licores com o gosto dos frutos do cerrado e tradicionais biscoitos como o Amor-Perfeito representam com perfeição os sabores desta cidade.

Arraias

Ruas sinuosas e estreitas com pequenas ladeiras e antigas muralhas de pedra dão o traço e desenho a cidade de Arraias, nascida no berço do ouro, no início do século XVIII. Quem visita Arraias pode conhecer o Museu Dr. João de Abreu, que tem expostas fotos de momentos marcantes do Tocantins, desde o período do ouro, passando pela ditadura militar e a revolta no então norte goiano, chegando até histórias mais recentes da criação do Estado. Na Chapada dos Negros, garimpo que chegou a ter 10 mil garimpeiros, restou ruínas de casas, muralhas e galerias de captação de água que impressionam quem visita.

O auditor fiscal da Receita do Distrito Federal, o arraiano Lirando Azevedo Jacundá, conta que conhecer a cidade de Arraias é conhecer a história do Tocantins e do Brasil. “Sou nascido e criado em Arraias, vivo há 35 anos em Brasília, mas vou pelo menos uma vez por mês vou visitar familiares e amigos na minha terra natal e ressalto que vale a pena conhecer Arraias por ser uma cidade importante dentro do contexto histórico do Tocantins. A história de Arraias se confunde com a do Tocantins”, destaca.

Dianópolis

Ainda no roteiro das Serras Gerais, a cidade de Dianópolis, terra das Dianas, é um dos roteiros com muitas histórias. A cidade é uma das mais antigas do Estado, com data de 1750, quando foi rota dos lavradores, pecuarista, mineradores e jesuítas em plena corrida do ouro. A expressão desse tempo pode ser apreciada no centro histórico e seus casarões.

Outro local que conta a história social e política desta cidade é a Capelinha dos Nove, construída numa praça pública para abrigar e homenagear as vítimas de uma chacina ocorrida em 1919, em decorrência a disputa entre políticos locais e representantes governistas, o episódio é chamado Quinta-feira Sangrenta.

Além destas cidades, a região das Serras Gerais está repleta de municípios históricos, rodeados por natureza e muitas histórias. Ótima opção para aproveitar o restinho das férias em uma viagem barata pelo passado do nosso Estado. (ATN)