Esporte

Foto: Divulgação Estádio tem ponto cego e o público da parte superior da arquibancada não consegue visualizar os jogadores na lateral do campo Estádio tem ponto cego e o público da parte superior da arquibancada não consegue visualizar os jogadores na lateral do campo
  • Público de aproxima das grades de proteção para melhor visualizar a partida
  • Maquete do projero original do estádio com área livre de recuo entre o campo de jogo e arquibancada
  • Durães diz que situação dos estádios é caótica

O Campeonato Tocantinense de Futebol está previsto para começar no dia 22 de fevereiro mas no meio esportivo do Estado muitos questionamentos rondam com relação à situação dos estádios que estão com estrutura precisando de reparos urgentes. O governo promete reformar os principais estádios e para o Estádio Leôncio Miranda (Mirandão), em Araguaína, a previsão é de investir R$ 400 mil para resolver os principais problemas. A situação do estádio é alvo de críticas por parte de vários torcedores e inclusive a própria diretoria do Araguaína que chegou a pedir o adiamento do início do campeonato sob alegação de que o estádio não tem condições de sediar as partidas.

No Estádio Mirandão uma falha incomoda e atrapalha a visão dos torcedores; a proximidade da arquibancada com o gramado, aliada ao fato de que a base da mesma foi construida mais de 3 metros acima do nível do gramado faz com que ocorra um ponto cego na lateral do campo para os torcedores que estão na parte mediana e superior da arquibancada. Neste caso, os torcedores não conseguem visualizar o jogo na lateral, não tendo uma visão integral do campo de jogo.

No projeto original do estádio como se pode ver em imagem de maquete (fotos) consta que era para haver uma área razoável de recuo entre a faixa lateral do gramado e a base da arquibancada. O desportista Osvaldo Durães questiona a execução do projeto. Segundo ele, não se sabe porque o espaço não foi mantido na execução.

O erro na execução do projeto, na obra que custou mais de R$ 22 milhões, recebeu críticas por parte do desportista. “É um absurdo termos um estádio com um erro básico desses e que de uma certa maneira tira a comodidade dos torcedores. Faltou visão e cuidado por parte de quem não construiu dentro dos padrões e hoje o torcedor está penalizado”, disse Durães. O desportista questionou ainda qual teria sido a motivação para que a obra fosse descaracterizada e chamou atenção para as adequações necessárias de acordo com o Estatuto do Torcedor. “Temos hoje o Estatuto do Torcedor que é bem claro com relação à estrutura mínima que os estádios devem ter para propiciar comodidade e segurança para os torcedores”, explicou.

A obra foi construída pela MVL Construtora que possui matriz na cidade de Araguaína e inaugurada em fevereiro de 2009 na gestão do ex-governador Marcelo Miranda. O secretário estadual de Esportes na época era Palmeri Bezerra. O Estádio tem capacidade para 10 mil torcedores mas atualmente teve a capacidade de público reduzida pelo Corpo dos Bombeiros.

Durães defende que o governo faça os reparos necessários para propiciar o direito do torcedor de assistir em plenas condições todos os momentos das partidas no Mirandão. “É preciso fazer essa adequação o mais rápido possível. Isso é uma violação aos direitos dos torcedores”, disse.

Antes de ser inaugurado o governo estadual divulgou que o estádio foi projetado pela Secretaria da Infraestrutura do Estado e que seguia as normas e padrões da CBF - Confederação Brasileira de Futebol. O estádio tem 20.868,22 metros quadrados de área construída. O próprio ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) na semana passada em visita ao Mirandão criticou a situação do estádio.

O Conexão Tocantins procurou o Procon para saber se houve alguma reclamação registrada por parte de torcedores com relação ao ponto cego no estádio mas não houve resposta do órgão. O Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública também foi procurado e informou que também não registrou nenhuma demanda com relação ao assunto.

O Corpo de Bombeiros da cidade informou que é responsável por averiguar apenas os equipamentos de proteção e saídas de emergência.

Problemas nas estruturas

Além dos problemas no Mirandão o desportista criticou ainda que falta para-raios nos estádios no Tocantins bem como banheiros. “Isso é outra falha grande que coloca em risco os jogadores e torcedores. Estamos falando de vidas. A impressão que fica é que esses estádios foram construídos sem a preocupação mínima de segurança e desde quando foram construídos nunca mais tiveram manutenção”, Osvaldo Durães.

Além dos problemas estruturais o maior estádio do Estado, o Nilton Santos, que fica em Palmas, também está numa situação preocupante, segundo Durães. “Até ninho de cascavel foi encontrado lá. Além disso a cabine da imprensa foi totalmente destruída pelas chuvas. O mato toma conta da frente do estádio que deveria ser cartão postal do esporte no Estado. Lamentável”, criticou. O ninho de cascavel, segundo o desportista, foi recolhido pelo zelador do local junto com o Corpo de Bombeiros.

O Estádio Nilton Santos foi interditado desde março do ano passado por uma série de problemas. Além do Nílton Santos, os estádios estaduais Castanheirão (Miracema do Tocantins), e Rezendão (Gurupi) devem receber reparos para o início do estadual.

Reparação

A Secretaria Estadual de Esporte tenta reparar os principais problemas nos estádios do Tocantins para organizar os pontos mais urgentes ainda antes do campeonato. O atual secretário de Esporte, Rodolfo Botelho afirmou ao Conexão Tocantins que os pequenos reparos no estádio Mirandão já começaram pelas partes elétrica e hidráulica, porém a reforma geral ocorrerá durante todo o ano, paralelamente ao campeonato. “Nosso objetivo é deixar o estádio em condições de iniciar o campeonato e em sequência fazer a reforma”, frisou. Segundo ele nos próximos 70 dias a pasta fará a licitação para a reforma geral.

Questionado sobre o erro que atrapalha a visualização total do campo de jogo gerando o ponto cego para os torcedores, ele disse que não sabe afirmar se quem errou foi a empresa ou se o projeto é que teve falhas. “Não sei se foi erro no projeto ou na execução mas vou procurar corrigir”, disse.

A Secretaria estadual de Esportes não tem ainda nenhum levantamento que apure qual o motivo da falha e nem quanto deve custar a reparação. “Vamos procurar corrigir”, frisou, sem estimar quando nem quanto custará. O secretário informou que todos os reparos necessários nos estádios serão feitos pelo governo.