Campo

Foto: Cleuber de Souza

As adequações e inovações no Projeto de Irrigação Manuel Alves, anunciadas pelo Ministério da Integração em parceria com o Governo do Estado, trazem expectativas aos pequenos produtores do projeto quanto ao aumento da produção e mais geração de emprego e renda. Medidas a serem implementadas a partir deste ano alterando os métodos de irrigação por meio de micro-aspersão, gotejamento e aspersão convencional possibilitarão a prática da produção ao longo de todo o ano.

As ações a serem executadas no Manuel Alves, que compreende os municípios de Dianópolis e Porto Alegre do Tocantins, no sudeste do Estado, se dão neste ano em que ocorrerá um dos mais importantes eventos ligados à atividade no campo no norte e nordeste do País, a 14ª Feira Agrotecnológica do Tocantins (Agrotins), no mês de maio, cujo tema é a Agricultura Familiar.

A área irrigável é de 3.972 hectares, divididos em 199 lotes para pequenos produtores qualificados e outros 14 lotes empresariais. São gerados cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos. Somente em 2013, o Manuel Alves registrou valor bruto produzido de R$ 2,1 milhões. O plantio na área se destaca pelas culturas frutíferas de banana, coco e abacaxi, fora o cultivo daquelas praticadas durante parte do ano como melancia, mandioca e abóbora.

Dentre as iniciativas do Governo do Estado para serem executadas, pelo menos mais 13 lotes deverão ser relicitados, como informa o secretário-executivo da Agricultura e Pecuária, Ruiter Pádua. Ao mesmo tempo, o Estado aguarda o resultado de avaliação de capacidade técnica operacional por parte do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para que outros 66 lotes familiares passem dos atuais 10 hectares para lotes de 20 hectares familiares.

Adequações

A proposta do Governo do Estado visa despertar ainda mais interesse no projeto, fato que, de acordo com Ruiter Pádua, abarcaria a possibilidade de expansão e mesmo diversificação de culturas em cada módulo. Com isso, ele observa que o projeto como um todo e os pequenos agricultores seriam ainda mais beneficiados.

O saldo de tal medida reflete na cadeia produtiva, conforme Pádua, beneficiando os municípios inseridos, como os do entorno do projeto, desde o recolhimento de impostos, movimentação no comércio de insumos, combustíveis, hotéis; e aqueles indiretos, através da contratação de caminhões e outros serviços.

Milton Albuquerque dos Santos é pioneiro no projeto. Faz questão de lembrar que há seis anos, no dia 11 de março de 2008, recebia das mãos do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o certificado de acesso ao projeto. Hoje, produz seis hectares de banana de três variedades (granaile, tropical tipo maçã e prata-anã) e se prepara para aumentar a área para oito hectares, devendo alcançar os 12 hectares em médio prazo. Isso obtém de 30 a 50 toneladas de produto por hectare, mas diz que com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e da empresa privada que dá assistência ao projeto, os produtores poderão alcançar até 70 t/hectare. “É um processo no qual temos que caminhar nessa direção”, diz.

Ele destaca que a realização da Agrotins este ano, com o tema da Agricultura Familiar, adquire  "valor importantíssimo" para os integrantes do projeto. "Eu digo que é até especial”, enfatiza. Para ele, a feira abre portas em todas as direções, ao divulgar a produção do projeto para todo o país, o que acaba agregando mais informações, que voltam em forma de vantagens e melhorias para os produtores. (ATN)