Educação

Foto: Divulgação

O questionamento da criadora da enfermagem científica, a britânica Florence Nightingale, reflete o desafio de ser enfermeiro e encarar a profissão como arte "O que é o artista ao tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo?" . No que depender da primeira turma de enfermagem formada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), que recebe o diploma nesta quinta-feira (24), cuidado e valorização do ser humano serão marca nos serviços de saúde onde quer que esses alunos forem exercer a profissão. É o que garantem os depoimentos de professores e estudantes, que há poucas horas da colação de grau recordam a trajetória e os desafios de abrir os caminhos do curso na UFT. A turma de 26 formandos entrou na instituição no semestre 2009/2 e chama-se Georgia Cristina, uma homenagem a uma colega que morreu em 2010 vítima de uma parada respiratória.

A presidente da comissão de formatura, Luciana Noleto, que atua como técnica de enfermagem há três anos, confirma a atividade do enfermeiro é uma arte, sim. "Trabalhar com enfermagem é diferente do que muita gente sonha antes da prática profissional. Enfermagem é a arte de cuidar e inventar, porque além de atender o paciente é preciso superar precariedades e criar as próprias condições de trabalho", pondera. "Nem todo emprego tem o salário dos sonhos. Por isso o enfermeiro tem que ter amor. Se não gostar da profissão e estiver disposto a servir as pessoas, não adianta", completa.

Segundo Ronniel Duarte, que foi o representante da turma durante a jornada acadêmica e também participou da fundação do Centro Acadêmico do curso, o fato de ser a primeira turma dessa graduação na Universidade causou resistência em algumas unidades de saúde, que estavam acostumadas apenas a receber estudantes de Medicina da UFT ou de Enfermagem de instituições privadas. "Muitos profissionais estranhavam, não nos davam espaço para trabalhar, mas aprendemos a contornar a situação e não ficamos no prejuízo."

O formando afirma que a experiência ensinou a vencer situações práticas da profissão. "Aprendi que o enfermeiro não pode abandonar o local de trabalho por causa dos problemas no sistema de saúde. Ele tem que insistir e também lutar por vidas", diz ele. "Quero enxergar e respeitar as pessoas. A humanização do trabalho foi meu principal aprendizado nesses quatros anos e é um principio pregado pelo SUS que falta em muitos hospitais", arremata.

Sônia Maria Queiroz é uma das professoras homenageadas. Para ela a turma é especial não apenas por isso, mas porque foi com esses alunos que teve sua primeira experiência em sala de aula. "Eu também cresci com essa turma e reconheço que todos os professores têm o seu mérito nessa formação. Todos nós passamos por adversidades por ser a primeira turma, muitos professores foram voluntários, mas agora somos vitoriosos. Espero que eles [os alunos] sejam humanos. O mercado está cheio de profissionais que só pensam no lucro", critica.

O professor Allison Santana, paraninfo da turma, ministra aulas aos formandos desde 2010. "Acompanhei toda a evolução deles", afirma. "Esta será a primeira turma do Tocantins preparada com a sistematização da assistência e cuidado, que são os trabalhos de proximidade e compreensão do paciente de acordo com as manifestações clínicas", enfatiza o professor. (Ascom UFT)