Polí­tica

Foto: Conexão Tocantins

Os manifestantes que estiveram em frente à Assembleia Legislativa do Tocantins neste último domingo, 1° de fevereiro, - dia da posse dos deputados estaduais e eleição para mesa diretora - não conseguiram entregar aos parlamentares a petição com mais de três mil assinaturas pedindo o cancelamento do auxílio-moradia no valor de R$ 3,8 mil. Uma manifestante chegou a ser barrada tendo um cartaz que carregava em suas mãos rasgado pelos seguranças.

“Não conseguimos (entregar a petição). Deixamos um recado no gabinete da Luana Ribeiro mas não tivemos resposta dela. Vamos protocolar na terça-feira (dia 3)”, disse a integrante na manifestação, Bruna Meneses, acrescentando a situação desconfortável a que outra integrante sofreu: “Ela conseguiu um crachá pra entrar, daí ela entrou e tirou (deixou à vista) a faixa e o cartaz. Os seguranças tiraram ela a força, tomaram a faixa e rasgaram o cartaz”, informou Bruna.

Bruna Meneses deixou claro em entrevista ao Conexão Tocantins seu descontentamento pelo episódio com a integrante da mobilização e fez um apelo para a população. “A Assembleia Legislativa é o lugar de manifestação, debates de ideias e opiniões e o papel dos nossos representantes é fiscalizar e elaborar projetos de lei em prol da população, não a eles próprios. Além disso, revoltante, uma cidadã não poder protestar de forma pacifica na casa dita casa do povo. E fica também um apelo a população que não se acomode, devemos lutar pelos nossos direitos e contra injustiças sociais”, posicionou.

José Bonifácio

O deputado estadual José Bonifácio (PR) está sendo alvo de críticas pelos manifestantes por declarações que contrariam o movimento. Segundo informações de alguns integrantes e postagens nas redes sociais, Bonifácio teria dito em tom de ironia ao grupo, que estudassem para garantia de um salário melhor, acrescentando não abdicar do auxílio. “Ele nem sabia com quem estava falando. Mandou professores, doutores irem estudar para ter um salário melhor”, disse Bruna Meneses.  

Em entrevista ao Conexão Tocantins na tarde do último domingo, 1° de fevereiro, Bonifácio não mediu as palavras. O deputado mandou que os movimentos procurem o Supremo Tribunal Federal para que reclamem contra o auxílio-moradia e ainda completou: “Eu não tenho medo desses movimentosinhos. Eles vão fazer manifestação aonde quiserem, comigo não! Quem tiver medo de auxílio-moradia não receba eu recebo. O Joaquim Barbosa recebe, o Lewandowski recebe, o Tribunal de Justiça recebe, o Conselho do Tribunal de Contas recebe, o Ministério Público recebe, porque que eu não vou receber? (sic)”, declarou. 

O deputado lembrou ainda que os deputados federais também recebem auxílio-moradia e informou que não abdicará do benefício. “Eu vou receber mesmo, porque eu requeri. Deputado que não quiser receber, que não receba. Se quiserem (os manifestantes ) discutir comigo, eu discuto com eles tranquilo e mostro as minhas alegações. [...] Eles vão se manifestar na baixa da égua. Eu não estou nem aí pra eles. Eu não sou hipócrita”, afirmou. 

Damaso 

O presidente reeleito, Osires Damaso (Dem) foi questionado em entrevista coletiva e disse receber a manifestação com tranquilidade. Damaso afirmou ainda que o benefício no valor de R$ 3,8 mil é justificável pois a maioria dos paramentares mora no interior. "Para ter condições de fazer nosso trabalho temos que ter qualidade de vida, temos que ter condições de exercer o nosso papel. É uma maneira legal o auxilio-moradia, é maneira que dá conforto ao deputado de fazer um trabalho representando o seu povo", disse.