Educação

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Jovens quilombolas do Claro, Prata, Ouro Fino, e Kalungas do Albino no município de Paranã estão sendo visitados com uma notícia nunca ouvida antes em suas próprias comunidades: “Sua oportunidade chegou. Vamos a Paranã fazer sua inscrição no vestibular da UFT?” Num tom de incentivo e de quem traz um convite e desafio, essa pergunta está sendo feita esta semana em vários lares remanescentes de quilombo pelo líder Renil Alves dos Santos como parte de um esforço conjunto entre a Associação Quilombola que preside e a Prefeitura de Paranã, através da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Cultura, e Proteção à Mulher, e a Secretaria Municipal de Educação. Os interessados em se inscreverem estão sendo contemplados com transporte até a cidade e almoço gratuito, onde recebem rápida orientação sobre o curso de Educação do Campo, com habilitação em Artes Visuais e Música. No dia da prova serão também levados a Arraias.

“Um programa de inclusão como este é algo que sempre sonhamos realizar em nosso município”, afirma o prefeito Edson Lustosa. Para ele, poder dar aos jovens da zona rural a oportunidade de sonhar, terem uma ambição e serem inseridos no mercado de trabalho através de um curso universitário é um esforço que trará tremendo impacto na realidade sócio-econômica do município a longo prazo, já que mais da metade da população tem origem quilombola e habita na zona rural.

Reivindicação

Segundo o Diretor Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Enedino Benevides Neto, a orientação e apoio para chegarem à faculdade foi um pedido que veio dos próprios jovens. A maioria dos interessados habitam no povoado do Campo Alegre. Alguns haviam terminado o ensino médio já há algum tempo, sem nenhuma perspectiva de trabalho ou o que fazer no futuro.

Para Sionice Torres Bispo, 19 anos e nascida na Comunidade do Claro, enfrentar o vestibular “é  muito importante, porque isso significa que vamos estudar e ter uma profissão.” Quanto à oportunidade de estudar em uma universidade gratuita e ainda poder receber a “ajuda financeira da bolsa permanência,” ela afirma ser um “presente de Deus,” porque seus pais não têm condições custear as despesas.

Educação do Campo

A Universidade Federal do Tocantins (UFT) oferece o curso de Educação do Campo nos campi de Arraias e Tocantinópolis, com licenciatura em Artes Visuais e Música, proporcionando uma formação cultural crítica (em vez de consumo) da identidade rural, resgatando elementos fundamentais de sua origem. Aos alunos matriculados são disponibilizados programas de auxílio financeiro por meio da bolsa quilombola, ou não. As inscrições para o vestibular 2015 encerram 3 de março, terça-feira, e podem ser feitas pessoalmente nos campi ou pelo site www.uft.edu.br.