Ciência & Tecnologia

Foto: Centro de Comunicação da UFMG

Pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Goiás (UFG), entre outras instituições de ensino e pesquisa, realizaram a primeira expedição para coletar micro-organismos na Antártica neste mês de janeiro para o desenvolvimento do projeto MycoAntar, em realização até 2018.

Os micro-organismos serão utilizados na tese da estudante Eskálath Morgana Silva Pereira, acadêmica do programa de Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da UFT (BIONORTE) e após o processamento desta primeira etapa, será feita uma avaliação a fim de traçar a estratégia para os próximos anos.

O MycoAntar é um projeto de pesquisa inserido no Programa Antártico Brasileiro (ProAntar) e financiado pelo CNPq, Capes e Fapemig, com apoio logístico da Marinha do Brasil, que tem como objetivo principal caracterizar a comunidade de fungos presentes em diferentes áreas da Antártica e utilizá-los em processos biotecnológicos, principalmente na bioprospecção de substâncias bioativas.

O coordenador geral do projeto e professor da UFMG, Luiz Henrique Rosa explica que a ideia vem sendo amadurecida desde 2006 quando participou da primeira Operação Antártica dentro do projeto MicroPolar coordenado por Vívian Pellizari, da USP. “Desde então, nosso grupo de pesquisa vem coletando amostras e identificando fungos presentes na Antártica. Assim, em 2013 resolvemos submeter um projeto apenas para o estudo dos fungos antárticos, o MycoAntar”, contou.

O professor esclarece que a longo prazo pretende montar uma coleção de cultura de fungos da Antártica para estudos biotecnológicos. “Entre estes estudos buscamos obter dos fungos antárticos substâncias antibióticas que podem no futuro se tornar fármacos de interesse na medicina ou pesticidas de interesse na agricultura”, enfatizou Luiz Henrique.

Sobre a participação de diferentes instituições no projeto, frisou que é fundamental para o cumprimento das metas, pois cada universidade ou centro de pesquisa, colaboradores possuem suas expertises de atuação. “Além disso, a formação de recursos humanos (formação de alunos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado) é fundamental para consolidação de profissionais na ciência antártica”, completou o pesquisador.

Da UFT, estão envolvidos no projeto dois laboratórios: Laboratório de Microbiologia Geral e Aplicada vinculado ao curso de Medicina e o Laboratório de Microbiologia Ambiental e Biotecnologia vinculado ao curso de Engenharia Ambiental. A equipe destes laboratórios conta com três professores doutores: Raphael Sanzio Pimenta, Paula Benevides de Morais e Juliana Fonseca Moreira da Silva. Tem também vários estudantes de mestrado e doutorado, uma Pós-doutoranda, duas técnicas de laboratório e vários estudantes de graduação. 

Para o professor Raphael Sanzio, a coleta foi satisfatória, porém ainda é cedo para saber se conseguiram os micro-organismos com as características que precisam. “Apesar disto, as minhas expectativas de obtenção de micro-organismos foi superada, pois conseguimos um volume muito bom de isolados, mas agora ainda precisamos identificar as espécies e fazer novos testes”, explicou o professor. Sanzio falou ainda sobre a intenção em realizar uma exposição de fotos e vídeos da expedição à Antártica na UFT como uma forma de dar visibilidade a universidade. “Acho interessante informar que este projeto sempre que possível divulgou a UFT”, finalizou.

Novas coletas com a participação da UFT serão realizadas em janeiro de 2016, 2017 e 2018.

Equipe MycoAntar

Universidade Federal de Minas Gerais

Centro de Pesquisa René Rachou-Fiocruz-MG
Centro de Pesquisa Aggeu Magalhes-Fiocruz-PE
Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz-RJ
Universidade Federal de Tocantins
Embrapa Meio Ambiente
Universidade Estadual do Paraná
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal Fluminense
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Universidade de São Paulo