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O território da comunidade remanescente de quilombo da Ilha de São Vicente, localizado no município de Araguatins (TO), foi delimitado com a publicação de relatório técnico, que definiu uma área de 2.502 hectares para as 48 famílias descendentes do antigo quilombo.

O relatório técnico de identificação e delimitação foi publicado no Diário Oficial da União do dia 2 de março. A publicação é uma etapa do processo de reconhecimento e titulação do território da comunidade quilombola.

O documento determinou as terras ocupadas tradicionalmente pela comunidade, por meio de estudos que identificaram a origem, a memória oral e documental do grupo relativa à história, tradições, saberes, práticas materiais e simbólicas. Os estudos foram elaborados por equipe multidisciplinar composta por servidores do Incra e por antropólogos da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

O Incra inicia este mês a notificação dos detentores de imóveis rurais, localizados na área delimitada do território, que têm prazo de 90 dias para apresentar manifestações e contestações. O processo encontra-se à disposição dos interessados na sede do Incra, em Palmas.

Histórico

A comunidade está situada na Ilha de São Vicente no Rio Araguaia, na divisa entre os estados do Pará e Tocantins. Os patriarcas da comunidade vieram de Carolina (MA) como pagamento de uma dívida para Vicente Bernardino Gomes, em 1869, sendo oito escravos (dois casais e quatro crianças). Com a abolição da escravatura em 1888, os ex-escravos ocuparam a ilha de Ilha Vicente, constituindo as famílias Barros e Noronha que deram origem à comunidade. Atualmente, os descendentes ocupam uma área de 32 hectares na ilha.