Esporte

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A organização e preparativos dos Jogos Mundiais Indígenas que acontecerá no Estado do Tocantins em setembro deste ano, tem sido prejudicada pela falta de diálogo por parte da Prefeitura de Palmas, segundo apontam líderes indígenas. Essa não é a primeira vez que líderes reclamam da falta de participação nos preparativos do evento que será mundial. “A prefeitura está tendo problemas, quer centralizar algo que nem foi eles que criaram e não estão querendo trabalhar em equipe junto com o comitê intertribal”, frisou uma das lideranças indígenas. Segundo ela, o Ministério dos Esportes encaminhou este mês uma equipe para averiguar como andam os preparativos para os jogos. Na versão dos líderes a falta de diálogo estaria prejudicando as articulações que já deveriam estar avançadas com relação ao evento.

Em entrevista ao Conexão Tocantins, Marcos Terena, do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, afirmou que a prefeitura tem a gestão do dinheiro, mas a composição e organização dos jogos é o comitê que fará. “Os jogos tem comitê gestor que é composto pelo Ministério do Esporte, prefeitura e Comitê Intertribal. O Ministério do Esporte designou recursos e a prefeitura que é a gestora desse recurso já recebeu R$ 4 milhões, mas nós do comitê é que carregamos a carga mais pesada que é compor os jogos”, frisou. Serão mais de dois mil indígenas de 24 países nos jogos.

Terena explicou que os jogos são compostos por três modalidades que são a base da competição e chamou atenção para que a Prefeitura de Palmas cumpra o plano de trabalho dos jogos que foi acordado entre as entidades no Ministério dos Esportes. “A prefeitura criou uma secretaria especial e até um site, mas não temos interferência, o que queremos saber é a operacionalidade do evento. A Prefeitura tem os recursos mas o trabalho tem que ser feito dentro do plano de trabalho”, frisou.

O líder citou a construção da estrutura para receber os indígenas como a montagem de 22 ocas nas proximidades do Estádio Nilton Santos e comentou: “Não vimos nada ainda”, disse. Conforme Terena, o Ministério está fiscalizando a destinação das verbas para obras do evento. “A prefeitura tem que prestar contas ao Ministério que está acompanhando tudo”, disse.

Questionado se a prefeitura estaria buscando se promover com o evento, Terena afirmou que "as ações mais políticas de promoção não podem ser pessoal. O evento é internacional e vai divulgar as forças das culturas das tradições indígenas através do esporte, os autores principais são os indígenas de 24 países”, disse. Ele frisou que ao contrário do que a prefeitura está divulgando, o evento começa já no dia 15 com o Festival de Culturas Indígenas. 

Hector Franco 

Em entrevista ao Conexão Tocantins o secretário Extraordinário dos Jogos Indígenas, Hector Franco, questionou as afirmações do líder Terena, uma vez que, segundo Hector, ele integra o órgão organizador do evento. "Mas ele é organizador dos jogos também, junto conosco. Falta de diálogo não existe de forma alguma, até porque o Comitê Intertribal é organizador dos jogos, detentores dos jogos e nós somos cidade sede, então nós temos operação em conjunto", afirmou. 

Ainda de acordo com Hector Franco, tudo está sendo planejado. "Existe um planejamento de todos os acontecimentos relativos a Palmas como cidade sede. Questão de logística, infraestrutura, saúde, segurança, tecnologia, mobilidade urbana, receptivo, todas essas questões estão sendo operacionalizadas de acordo com o planejamento. São muitos itens que estão sendo realizados de acordo com o planejado para que a gente possa ter em setembro um evento absolutamente como a gente espera. Assim como toda a sociedade também espera", disse o secretário Extraordinário.  

Sobre as ocas, Hector disse que, inclusive o líder indígena Marcos Terena esteve junto em reunião para deliberações. "Isso parece absolutamente planejado, que até o arquiteto do Comitê Intertribal esteve conosco para realizar os levantamentos necessários para que o projeto seja executado da maneira como eles querem, como o Comitê Intertribal quer. Estamos aguardando o projeto do arquiteto para que a gente possa executar como planejado", informou o secretário.