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Saúde

Foto: Divulgação

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Com foco na melhoria da qualidade de vida e visando oferecer atenção integral ao idoso que apresente quadro demencial, especialmente nas condições de fragilidade, o Governo do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, desenvolve o projeto “Cuidando de Idosos com Síndrome Demência”.

O projeto oferece assessoramento aos municípios e  busca esclarecer aos profissionais, cuidadores de idosos e familiares sobre a importância do diagnóstico da demência, o tratamento adequado e a melhoria da qualidade de vida do idoso. “Quanto mais disseminarmos a informação para os profissionais e cuidadores de idosos, melhor estaremos contribuindo no processo de envelhecimento da população idosa”, destaca a técnica da área do Idoso da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Wanira Brito.

A técnica Wanira ressalta ainda que com o crescimento populacional da comunidade idosa houve uma transição do perfil epidemiológico das doenças. “O que houve foi um aumento das doenças de alta incidência nesta população, como a demência, que se trata de um adoecimento crônico da memória recente ou de curto prazo. Essa doença causa perdas funcionais nos idosos, estabelecendo uma necessidade de que as pessoas que estejam ao seu redor ofereçam um suporte social para sua sobrevivência”, explica.

Por meio do projeto, já foram realizadas oficinas regionais e cerca de 200 profissionais foram capacitados e estão aptos a serem multiplicadores do cuidado especial com os idosos nas regiões saúde de Capim Dourado, Cantão, Amor Perfeito, Bico do Papagaio, Cerrado Tocantins Araguaia, Médio Norte Araguaia.

Demência

As demências são classificadas como reversíveis e irreversíveis. As principais demências reversíveis são pelagra (causada pela deficiência de ácido nicotínico, que afeta os neurônios do córtex cerebral), deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, depressão e Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN).

Já entre as principais demências irreversíveis, que são as degenerativas, estão a doença de Alzheimer, a demência por corpúsculo de Lewy, atrofia de múltiplos sistemas, demência vascular mista, doença de Creutzfeldt-jacob, Doença de Huntington e demência devido à doença do HIV. A mais comum das demências em idosos continua sendo o Alzheimer que é responsável por mais de 50% dos casos de demências na maior parte dos países.

Diagnóstico e tratamento

Para a médica geriatra, Marina Barichello Cerqueira Valim, o tratamento da doença de Alzheimer funciona como se fosse uma espécie de freio que faz  com que a doença progrida mais lentamente, já que ainda não existe cura. “O diagnóstico do Alzheimer é clínico e os exames complementares auxiliam a descartar outras causas de síndrome demencial. Trata-se de uma doença em que a prevalência aumenta consideravelmente com a idade, dobrando a cada 5 anos a partir dos 65 anos. A prevalência passa de 3% nos sexagenários para 40% nos nonagenários”, explica, acrescentando que o envelhecimento populacional torna-se um quadro impactante que merece ênfase na saúde pública.

A geriatra Marina Barichello informa ainda que nos pacientes com demências reversíveis, como por exemplo queixas de memória e autonomia associado à hipotiroidismo, déficit de vitamina B12 ou depressão é possível que se faça  intervenções terapêuticas ou até mesmo completa reversão do déficit cognitivo.

O tratamento da Doença de Alzheimer abrange, além da reabilitação com equipe multidisciplinar, medicações, como anticolinesterásicos, que são distribuídos pelo governo do Estado, por meio da  Assistência Farmacêutica.

Alerta para sinais

A médica faz o alerta para que as pessoas fiquem atentas aos sinais da diminuição da capacidade intelectual a ponto do paciente ter dificuldades nas atividades profissionais e sociais rotineiras. “Ficar em alerta quando o paciente começa a esquecer fatos recentes, tornar-se repetitivo, se perde em locais conhecidos, apresenta dificuldades nas tarefas domésticas. Nesses casos é sempre importante a avaliação de um especialista”, reforça. (Ascom Sesau)