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Foto: Manoel Júnior A Embrapa mantém uma vitrine de produção de girassol, onde são realizadas pesquisas em duas cultivares, a Brasil Sementes (BRS) 323 e 324 A Embrapa mantém uma vitrine de produção de girassol, onde são realizadas pesquisas em duas cultivares, a Brasil Sementes (BRS) 323 e 324

O Estado do Tocantins, atualmente, é responsável por 70% de todo o biodiesel produzido na região Norte do País. Mas, com a expansão da nova fronteira agrícola do Matopiba, nos limites dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, esse percentual tende a aumentar ainda mais. Somado a isso, pesquisas apontam novas fontes de produção de biodiesel. Já o selo do Combustível Social é uma via de estímulo à agricultura familiar.

A produção de soja é a grande responsável por esse percentual de biodiesel produzido no Tocantins. Entre as novas culturas, aparecem como potencial na produção de biodiesel, o dendê, a macaúba e o girassol. Esse último está sendo visto com muito bons olhos pelos pesquisadores, devendo, muito em breve, estar lado a lado da soja entre os produtos principais, seguidos do milho.

Quem assegura é o pesquisador e doutor em Fisiologia Vegetal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Leonardo José Motta Campos. O projeto-piloto na produção de girassol começou em um projeto de assentamento no município de Santa Rosa, sudeste do Estado.

Na 15ª Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins Brasil 2015), que acontece em Palmas desde o último dia 5 até este sábado, dia 9, a Embrapa mantém uma vitrine de produção de girassol, onde são realizadas pesquisas em duas cultivares, a Brasil Sementes (BRS) 323 e 324. “O potencial do girassol é grande”, avisou Leonardo Campos.

Segundo ele, o óleo necessário para o biodiesel equivale a 40% da produção de girassol. Além do óleo do girassol, com a matéria-prima ainda é possível investir na alimentação animal, pois é possível produzir o que chamamos de torta de girassol”, completou o pesquisador.

De acordo com o engenheiro agrícola da área de Águas e Energia da Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), Wagner Palhares Júnior, o Governo do Estado é parceiro na matriz de biodiesel através de pesquisas por meio da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) e apoio à Embrapa e à Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Para Wagner Palhares Júnior, a produção da soja é, hoje, mais interessante em função do pacote tecnológico que a atividade já dispõe, o que não impede de se trabalhar na pesquisa de novas fontes. “Estimular a rotatividade dessas matérias-primas só tende a agregar valor à produção de biodiesel. No caso do girassol, a diferença de preço do produto final é bem superior”, comparou o engenheiro agrícola.

Além do girassol, na área da Agrotins, cinco variedades nativas de macaúba são cultivadas em unidades demonstrativas pela Unitins em parceria com a Embrapa, como forma de estimular a atividade na modalidade agricultura familiar.

Combustível Social

Hoje, no Tocantins, somente duas empresas, uma instalada em Paraíso e outra em Porto Nacional, são credenciadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) quanto ao selo do Combustível Social, que confere ao seu possuidor o caráter de promotor de inclusão social dos agricultores familiares enquadrados.

Para ter acesso ao selo, a empresa deve adquirir pelos menos 15% de matéria-prima dos agricultores familiares no ano de produção do biodiesel; celebrar contratos de compra e venda de matérias-primas com os agricultores familiares ou com suas cooperativas; assegurar capacitação e assistência técnica à esses agricultores familiares contratados; entre outras.