Palmas

Foto: Divulgação Henrique Alves mostra casa simples no setor Taquari onde o prefeito disse que iria morar Henrique Alves mostra casa simples no setor Taquari onde o prefeito disse que iria morar

O Conexão Tocantins realiza uma série de entrevistas com os presidentes dos bairros de Palmas questionando os principais problemas enfrentados, reivindicações a serem atendidas, avaliação de gestão, contentamento dos moradores, expectativas futuras, entre outros. As entrevistas vêm ao encontro do aniversário de Palmas que acontece no próximo dia 20 e o primeiro presidente a ser entrevistado foi o da Associação dos Moradores de Taquari, Henrique Alves, que não economizou críticas a gestão atual da Capital.

Segundo o líder comunitário,  o atual prefeito da capital, Carlos Amastha, é uma decepção, vendedor de ilusão e não fez nada do que prometeu ao setor Taquari. "O que hoje o Taquari sente é revolta, é tristeza, sentimento de traição do gestor que vende sonho, vende ilusão e na verdade, resumindo, é um ilusionista", afirmou ao Conexão Tocantins. 

O presidente da Associação disse ainda que a Prefeitura de Palmas e a Câmara tornaram-se balcão de negócio lucrativo. 

Confira abaixo a entrevista na íntegra.  

Conexão Tocantins - Presidente. Quantos moradores residem atualmente no Taquari?

Henrique Alves - Um total de 19 a 20 mil habitantes.

CT- O prefeito de Palmas, o Carlos Amastha, afirma que mudou para o Taquari dizendo só sair do bairro quando as principais demandas forem resolvidas. O que mudou com o prefeito no Taquari? Houve melhoras significativas? Houve melhoras na infraestrutura do bairro?

HA- A minha avaliação ao atual gestor é: primeiro, decepção. E a segunda é dizer que ele é um vendedor de sonho, de ilusão, o maior ilusionista da história. Para mim a minha comunidade foi traída, e eu fui traído como candidato a vereador no palanque dele, acreditei que ia ser o melhor para minha comunidade sonhando de que ia haver mudanças na comunidade, pelo contrário, meu bairro está abandonado, esquecido, ele brinca com o sentimento daqueles moradores, daquelas famílias carentes e humildes. Às vezes levar benefício para Taquari, construir uma creche padrão que foi prometido na campanha de 2012, construção de colégio de tempo integral, a rede de esgoto, o asfalto, mas até hoje ele não teve a competência nem de tirar um alagamento que perturba de forma contínua o CRAS (Centro de Recuperação e Atendimento Social) que é uma obra construída com recurso federal e um supermercado que é o que mais vende e que mais emprega pessoas naquela comunidade. Foi pedido pessoalmente para que tirassem aquele alagamento e até agora a gestão não teve a competência de tirar esse alagamento. Até o momento não foi construída uma sala em uma creche, então nada foi feito, o que foi feito foi um cartão postal muito bonito a alguns metros da avenida principal onde já falei e repito, é um jogo de marketing, de mídia, uma manobra política de uma gestão que não existe. O que hoje o Taquari sente é revolta, é tristeza, sentimento de traição do gestor que vende sonho, vende ilusão e na verdade, resumindo, é um ilusionista.

CT- Tem obras que o senhor possa citar que a gestão atual fez por Taquari?

HA - O que eu posso citar chama-se nenhuma. Simplesmente a promessa da campanha em cima do palanque que era uma das mais faladas era que se eleito fosse, a primeira obra seria a rede de esgoto, o asfalto e regularizar Taquari. Até o presente momento o que tem feito é levar umas máquinas na comunidade para raspar as ruas e quando chove os moradores ficam de forma intransitável. Agora no inverno é a lama tomando conta e no verão é a poeira. Nada foi feito por aquela comunidade, simplesmente o que nós temos no Taquari é o sentimento de revolta e de traição por parte da gestão municipal.

CT- Qual a maior carência do setor?

HA - Digamos assim, tudo. Principalmente a questão da saúde. A gente acreditou que poderia acontecer nessa gestão dele (Carlos Amastha), devido a tantas promessas, que nós teríamos por direito uma ambulância com motorista à disposição da comunidade. Não temos esse benefício. O atendimento é de péssima qualidade, ou seja, é uma tortura. Agora entrou o verão e agora vai vir as tempestades, as nuvens de poeira para torturar as famílias carentes e colocar os idosos e as crianças com a saúde fragilizada, vulnerável. O Taquari é um bairro que é vítima, vítima nesta gestão municipal. Infelizmente foi vítima desta gestão municipal.

CT- Que visão futura o senhor tem do Taquari? O que o senhor espera da gestão atual?

HA-  Com esses poucos meses que restam eu gostaria de pelo menos mudar um pouco a minha decepção e concretizar meu sonho que foi com esse sonho que eu fui as ruas para buscar votos. Eu gostaria que a atual gestão construísse pelo menos uma creche padrão e que ampliasse as creches existentes. Construísse nosso Colégio de Tempo Integral que o sonho daquelas mães colocarem seus filhos. Se ele fizesse esses três itens pelo menos já teria um sonho realizado e eu iria parabenizar ele pelo resto da vida porque se tiver um homem que luta de forma incansável pelo benefício daquela comunidade chama-se Henrique Taquari que luta para que a aquela comunidade possa viver com qualidade, com benefícios que são tão esperados por todos e garantidos por lei. Lei não se discute, se cumpre. Uma vez que ele gerou o IPTU altíssimo, de valor exorbitante para aquela comunidade carente que vive de salário mínimo alguns e outros nem emprego tem, a gente espera que ele tenha bom senso e sensibilidade e pelo menos esses três itens sejam colocados no bairro para que nós possamos dizer que pelo menos, graças a Deus, ele veio e implantou esses benefícios na gestão dele.

CT- O que falta para Taquari ser o setor dos sonhos?

Como gestor e morador daquela comunidade, o que falta para ser o setor dos sonhos é, primeiro: a infraestrutura, rede de esgoto, asfalto. Outra, segurança pública de qualidade, mais investimento na comunidade, investimento na juventude que precisa de atendimento especial, investir no esporte, na cultura, lazer porque aqueles jovens precisam de assistência rápida porque eles estão desassistidos, eles não tem um incentivo. O mínimo do mínimo, o básico do básico, às vezes ainda não tem para oferecer para eles. Já fiz ofício, requerendo, inclusive, um ginásio poliesportivo com vestiário, banheiro, arquibancada, climatização porque vejo isso como um avanço para a comunidade, para a juventude. Transformar unidade de saúde em pronto atendimento 24 horas e construção de uma policlínica porque é um bairro distante que depende de tudo. Que possamos ter ali uma policlínica com cardiologista, ginecologista, pediatra, dermatologista. A gente tem necessidade desses benefícios. Também mais colégios, com salas de aula climatizadas porque hoje os que temos estão abarrotados e não tem climatização nas salas, abarrotadas as salas de aula, não tem como aprender e educação é a base de tudo. Que coloquem em primeiro plano o ser humano. O Taquari exige, sonha e está à espera do compromisso feito pela gestão municipal. Que tenha consciência, tenha sensibilidade de que as promessas que foram feitas fazem falta pra nós. Estamos sonhando que elas sejam realizadas, concretizadas, caso contrário nós vamos nos sentir traídos como já estamos sentindo que até agora nada foi feito. O maior ilusionista da história, capitalista, oportunista. Enquanto o País está caminhando a beira de um colapso com maior número de desemprego, a Prefeitura de Palmas dobrou a arrecadação de imposto, a Câmara dos Vereadores virou balcão de negócio lucrativo enquanto o cidadão está no prejuízo, desempregado, sem ter onde morar, sem ter o que comer com seus filhos.

*A série Especial Palmas 26 anos traz várias entrevistas com políticos, presidentes de bairros e lideranças da capital.