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A Associação Comercial e Industrial de Araguaína e mais 16 instituições e entidades sociais firmaram uma importante parceria em prol de soluções concretas para a segurança pública da cidade na manhã desta quinta-feira, 11. Durante reunião realizada no auditório da associação, ficou deliberada, entre outras atividades, uma manifestação com adesão maciça do comércio e parceiros na próxima quarta-feira, dia 17, das 7h30 até às 12 horas.

Categorias profissionais também serão convidadas a aderir à passeata, que partirá da Praça das Bandeiras, percorrendo a Avenida Cônego João Lima na contramão até a BR 153. A intenção é que grande parte do comércio feche as portas durante o ato como forma de chamar a atenção das autoridades para o crescimento da violência em Araguaína, principalmente os assaltos à mão armada, além da falta de aparelhamento e efetivo das forças de segurança pública.

Para o presidente da Aciara, Manoel de Assis Silva, empresas e cidadãos contribuem diariamente com o poder público por meio dos tributos e já passou da hora das autoridades darem a contrapartida. “Precisamos dar um basta nesta situação absurda, na qual o cidadão de bem está totalmente refém da bandidagem, sem perspectivas de proteção. E partir desta mobilização, vamos construir ações permanentes em prol da segurança pública”.

Dados alarmantes

O propósito da reunião foi abrir espaço para que as entidades e instituições participantes colaborassem com ideias e propusessem ações efetivas. De acordo com o diretor jurídico da ACIARA e presidente do Conselho de Segurança de Araguaína, Dearley Kuhn, os números da segurança pública evidenciam uma situação de descaso do poder público. “Em 2006, tínhamos poucos mais de 600 policiais militares para atender a área de abrangência de Araguaína. E já naquela época, o ideal eram pelo menos 1000 soldados. Hoje, em 2015, este número caiu para algo em torno de 450, mesmo diante do crescimento da cidade e aumento das demandas”, explanou Dearley. “E o concurso feito no ano passado para o quadro da PM não foi suficiente sequer para repor o efetivo que deve se aposentar nos próximos anos”, completou Manoel.

O representante da Maçonaria, Eurivaldo Andrade, também apresentou outros dados preocupantes. “Hoje, a região de Araguaína conta com sete delegados para atender 11 cidades. Em Palmas, são 60 delegados para sete cidades, sendo que 25 deles ficam só na capital”, elencou. Eurivaldo também expôs que a PM de Araguaína está utilizando os veículos da Companhia Independente da Polícia Rodoviária e Ambiental – CIPRA para auxiliar no patrulhamento urbano, defasando a área rural.

O sistema carcerário do Estado também está operando acima do limite, o que dificulta o trabalho de investigação e prisão, segundo Andrade. “Há, hoje, aproximadamente 2.800 presos no Estado para 1.900 vagas. A Polícia Civil já não tem condições de manter presos os infratores pegos em flagrantes. Fianças são arbitradas e eles voltam para as ruas”, comentou o representante da Maçonaria. “E nem mesmo as ocorrências são registradas porque a Polícia Civil não tem estrutura. Existe uma clara diferença de tratamento do poder público em relação a Palmas e Araguaína”, acrescentou o diretor da ACIARA, Renato Freire.

Propostas

Representante da ONG SOS Liberdade, Elcimar Pessoa sugeriu a formação de uma comissão entre as entidades para cobrar soluções diretamente ao Governo do Estado. “E é preciso também investir em projetos sociais e esportivos para incluir os jovens e tirá-los do assédio do crime”, reforçou.

Já para Dimas José Batista, da Universidade Federal do Tocantins – UFT, ações institucionais são ferramentas fundamentais para minimizar consideravelmente o problema da violência. “É preciso estudar a criação da Guarda Municipal, além de um Gabinete de Gestão Integrada de Segurança Pública para assessorar e organizar as ações, principalmente com ampla participação da sociedade”. Dimas também salientou a reativação imediata dos Conselhos Comunitários de Segurança, hoje desativados na cidade por falta de projetos e incentivo do poder público, e a construção de um fórum permanente para avaliar constantemente as ações de segurança pública desenvolvidas.

Ações futuras

As propostas e cobranças levantadas durante a reunião serão reunidas em um documento, que servirá tanto para exigir dos poderes públicos medidas imediatas e efetivas, como também para nortear as atividades futuras em prol da segurança. “Só conseguiremos chamar a atenção das autoridades e construir situações concretas com a ampla adesão das entidades e instituições sociais. Demos um passo importante na busca por soluções, mas a movimentação deve ser permanente”, ressaltou o presidente Manoel.

Participaram do encontro representantes do Sindicado dos Empregados do Comércio do Estado do Tocantins – SECETO, UFT, Maçonaria, ITPAC, Faculdade Católica Dom Orione, bancos Itaú e Caixa Econômica Federal, Rotary Club, Lions Clube, Corpo de Bombeiros, Sindicato das Indústrias de Confecções do Estado, OAB, ONG SOS Liberdade, ONG Justiça e Cidadania, Conselho dos Pastores de Araguaína e Federação das Associações das Micro e Pequenas Empresas de Araguaína.