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Responsável pelo ensino de pessoas com mais de 15 anos, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem se tornado a cada dia o principal canal de acesso desta faixa-etária ao certificado de conclusão de ensino médio e, consequentemente, ao mercado de trabalho. No Tocantins, a partir da inserção da EJA no Plano Estadual de Educação (PEE), abriu-se a possibilidade de se traçar políticas públicas específicas voltadas para este público que normalmente enfrenta dificuldades em permanecer na sala de aula por conta de barreiras que a vida lhes coloca.

De acordo com a gerente de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Ana Stella Rodrigues Ferreira, depois de intensos trabalhos do departamento junto aos grupos de trabalho que formularam o texto-base do PEE, a EJA acabou contemplada no planejamento educacional tocantinense para os próximos 10 anos. Isso acarretou, segundo a técnica, na garantia de um dispositivo legal que respalda a elaboração de políticas públicas específicas para este alunato.

“A EJA não era contemplada a partir de um olhar que garantisse um respaldo legal que garantisse a implantação de políticas eficientes. A partir do PEE, nós conseguimos garantir a participação da EJA na elaboração de Políticas Públicas e ações que não sejam simplesmente paliativas”, explicou Ana Stella.

Dentro deste contexto, foram elaboradas três metas que abrangem 29 estratégias para a Educação de Jovens e Adultos, contemplando inclusive, os alunos privados de liberdade. Entre os macro-objetivos traçados para a EJA no Tocantins estão a elaboração de uma ampla pesquisa para apontar o motivo de evasão por parte dos alunos; a elaboração de um projeto de leitura específico para estes estudantes e a abertura de um canal de comunicação virtual visando a formação continuada e a troca de experiências entre os professores.

Primeiro passo: pesquisa

Esta meta foi elaborada no sentido de desvendar as razões para a infrequência, a reprovação e o abandono escolar por parte dos alunos de EJA. Segundo Ana Stella, a partir do levantamento detalhado dos dados, será possível identificar com precisão os motivos para este cenário e traçar estratégias para combater os problemas encontrados.

“Dentro da Educação de Jovens e Adultos nós temos salas de aula muito heterogêneas, com alunos adolescentes de 15 anos até idosos, o que torna o ritmo das aulas ainda mais desafiador. Será que os professores estão tendo este olhar de aproveitamento das experiências dos mais velhos? A Partir daí surgiu este projeto de pesquisa que vai identificar o aluno que evadiu da sala de aula”, exemplificou a gerente da Seduc.

O documento que irá nortear a pesquisa já está elaborado e, assim que aprovado, será encaminhado às Diretorias Regionais de Educação (DRE) para que estas possam redistribuí-los às unidades escolares. “Nós queremos que as escolas separem um local específico e determinem uma pessoa que irá localizar estes alunos evadidos e orientar a pesquisa para sabermos exatamente quais as razões que os tiraram da sala de aula”, apontou.

Programa de leitura

Outro ponto abordado pelo setor de Jovens e Adultos é a elaboração de um projeto de leitura específico para os alunos. Esta meta, conforme a gerente de EJA da Seduc passa principalmente pela adequação das unidades escolares à realidade das pessoas que frequentam as salas de aula. “Em muitas escolas as bibliotecas não ficam abertas durante a noite, que é o horário em que estes alunos estão na escola. Temos que repensar a rotina das escolas para abranger estes alunos que muitas vezes passam o dia todo trabalhando, que podem chegar mais tarde na escola ou sair mais cedo, pois trabalham à noite”, disse.

Professores qualificados

A terceira meta estabelecida para a Educação de Jovens e Adultos é a abertura de um canal virtual para os professores. A ideia é estabelecer um canal na plataforma moodle para que os educadores da EJA possam se aperfeiçoar, trocar ideias, receber orientações e ampliar as experiências com os estudantes. “Com a abertura deste canal, nós teremos fórum de debate, página para publicação de artigos, troca de experiências com profissionais de dentro e de fora do Estado, além de fazer com que o professor possa entrar em contato diretamente com a Seduc para orientações e solução de problemas”, pontuou.