Saúde

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  • Camila Novak de Freitas, dermatologista

Uma das queixas femininas mais frequentes no consultório dermatológico é relativa à queda de cabelos. Muitas vezes, esse tipo de alteração, que também acomete os homens, surge após um regime muito restritivo, cirurgias, alteração tireoidiana, estresse excessivo, uso de medicamentos, pós-parto ou mesmo a parada da pílula anticoncepcional, por exemplo. Diariamente, usualmente uma pessoa perde 100-150 fios de cabelo, dos aproximadamente 150 000 que tem no couro cabeludo. “Diariamente temos no nosso couro cabeludo diversos folículos capilares em fase de queda, sendo assim, achar cabelo no ralo do banheiro ou na escova é normal, já que o folículo sofre um trauma nessas ocasiões e se rompe”, explica a dermatologista Dra Camila Novak de Freitas. 

De acordo com a especialista, quando a pessoa nota um volume de fios anormal no travesseiro, no chão da casa ou na mesa de trabalho, é preciso investigar o motivo com a ajuda de um médico. “Antes de tratar a queda, é importantíssimo conhecer a causa, pois cada uma delas vai levar a um tratamento diferente. Evitar a oleosidade e a dermatite seborreica contribuem para o tratamento. Existem diversos tratamentos, como shampoos, loções, medicamentos de uso oral, intradermoterapia ou mesoterapia capilar e tratamentos com feixes de luz vermelha e infra-vermelha”, diz Dra Camila que dá uma dica importante para não agravar a situação: “O ideal é não se desesperar, pois altos níveis de estresse geram um círculo vicioso: quanto mais cabelo cai, maior a ansiedade e maior queda”, alerta.

Segundo dados da Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração Capilar, a queda de cabelo em excesso acomete em cerca de 25% das brasileiras entre 35 e 40 anos e 50% daquelas com mais de 40 anos. No caso dos homens, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração de Cabelo, 40% sofrem com o problema antes dos 35 anos. 

Principais causas de queda de cabelo

1. Pós-parto:quando a mulher está grávida, ela perde menor quantidade de fios do que perderia normalmente, e ao final da gravidez muitos fios entram na fase de repouso do ciclo e caem. Isso ocorre normalmente 2 a 3 meses após o parto, podendo durar de 1 a 6 meses, retornando ao ciclo normal na maioria dos casos.

2. Anemia:a deficiência de ferro pode ocorrer por uma diminuição da ingestão de alimentos ricos nesse elemento, por redução da absorção do ferro no tubo digestivo ou por perda crônica através de hemorragias, como por exemplo, em mulheres com o período menstrual muito longo ou com grande volume menstrual. Essa deficiência pode ser detectada através de exames de sangue e corrigida com o uso de medicações para repor o ferro.

3. Dieta pobre em proteínas:dietas não balanceadas podem levar uma ingestão inadequada de proteínas e o corpo irá economizar as proteínas nos cabelos, fazendo com ele passem para a fase de repouso, o que acarretará em uma perda grande dos fios. Isso pode ser prevenido e tratado através de uma dieta balanceada, com as quantidades adequadas de proteína.

4. Uso inadequado de produtos para cabelos:o uso de tinturas, água oxigenada, permanentes, alisantes, descolorantes e outros produtos podem enfraquecer os cabelos levando à sua queda e quebra. Nestes casos é necessário interromper o uso até o crescimento de novos fios.

5. Infecção por fungos:ocorrem áreas de descamação no couro cabeludo, associadas a vermelhidão e coceira, deixando os fios quebradiços. Essa infecção é contagiosa e deve ser tratada com medicamentos apropriados.

6. Uso de medicamentos:alguns medicamentos podem ter como efeito colateral a queda temporário dos cabelos.

7. Uso de pílulas anticoncepcionais:algumas mulheres podem ter perda dos cabelos com o uso das pílulas anticoncepcionais, e caso isso ocorra, devem procurar o seu ginecologista. A interrupção do uso das pílulas também pode desencadear a queda dos cabelos 2 a 3 meses após o término do uso. Esse fato ocorre de maneira semelhante ao que ocorre no pós-parto.

8. Distúrbios da tireóide:a diminuição ou o aumento da produção dos hormônios da tireóide, denominados de hipotireoidismo e hipertireoidismo, respectivamente, podem causar a queda dos cabelos. Essas alterações podem ser diagnosticas pela medida dos hormônios no sangue e seu tratamento pode corrigir a perda dos cabelos. 

9. Febre e infecções:febre alta e infecções como uma gripe forte pode levar a uma queda excessiva dos cabelos por 4 semanas a 3 meses, cessando espontaneamente. 

10. Estresse:algumas situações, como grandes cirurgias e doenças crônicas, resultam em estresse para o organismo podendo levar à queda dos cabelos. O estresse psíquico também pode aumentar a perda dos cabelos. Caso essas condições sejam passageiras, como no caso das cirurgias, a queda se reverte espontaneamente. 

11. Alopecia areata:também conhecida como pelada, é a perda dos cabelos em uma pequena área arredondada. A causa é ainda desconhecida, e a condição pode ser tratada com o emprego de medicamentos tópicos ou sistêmicos. 

12. Calvície hereditária:essa tendência genética pode ser herdada pelo lado materno ou paterno, e as mulheres apresentarão cabelos ralos, não se tornando completamente calvas. Também chamada de alopecia androgenética, ocorre devido a grandes concentrações de hormônios masculinos ou pelo aumento da sensibilidade à ação desses hormônios. Seu aparecimento pode ser ainda na adolescência, sendo que existem alguns medicamentos tópicos que podem amenizar o problema.

Por: Redação

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