Opinião

Foto: Divulgação

Cobrar dos jovens um voto limpo e sustentável - com consciência eleitoral - seria uma utopia do mundo adulto ao qual nos encontramos. Tendo em vista que não somos levados a sério até alcançarmos “a maioridade relativa”, onde ganhamos o direito de escolher nossos próprios representantes, e é quando começamos realmente nossa vida social politicamente ativa. A luz deste raciocínio podemos elencar vários fatos atrelados a este erro, como por exemplo o fato de não sermos educados com este conceito político de mundo globalizado, desde a educação básica - lá na educação infantil - nas séries iniciais, quando estamos ainda engatinhando, que é onde o raciocínio está a todo vapor, tudo muito bem fácil de ser discernido, interpretado e absorvido, onde aprendemos realmente o valor do relacionamento interpessoal.

Votar com consciência social, decidindo o que é melhor ou mais correto para a população de cada município, porém sobretudo, votar com o coração, com a sensatez e sensibilidade do senso de justiça, para enxergar a real precisão dos menos favorecidos, que mais precisam de um bom serviço público de qualidade. Este sim, é um direito dos jovens da nova política e uma obrigação do estado, para com seus governados, que começam a participar não apenas do processo de sufrágio, mais também da organização político partidária de grupos e debates sobre o futuro que queremos.

Por muitas vezes escutamos dizer que jovens não gostam de política. Os jovens não são sujeitos isolados do restante da sociedade. E de uma forma geral, toda a sociedade tem partilhado certa descrença na ação política. Num contexto histórico em que muitas pessoas estão desanimadas com a política, é evidente que muitos jovens também vão partilhar desse sentimento. Em pesquisas realizadas com a citada classe sobre este tema é interessante notar que, o assunto política, foi afirmado por muitos, que não gostam! Mais em se tratando do tema participação social, em sua grande maioria, acham que é muito importante. Nesta linha observamos que a palavra política está muito associada ao governo, ao partido x ou y. Se ampliarmos esta noção de política para a ideia de participação pública e coletiva (sustentável), podemos crer que muitos jovens não só gostam de política como têm um forte engajamento, maior inclusive que qualquer outro segmento social.

Esta grande massa que é o público jovem, está desacreditada da política, não entendem o que de fato está sendo chamando de política. Algumas palavras são muito significativas, mas estão desgastadas quanto ao seu uso. Evidentemente isso não é por acaso. No campo da política institucional, a forma com que muitos dos políticos profissionais têm tratado as questões públicas faz com que desacreditemos que qualquer mudança seja possível. Da mesma forma, a mídia também contribui para que tenhamos uma ideia ruim da política. Valoriza-se muito, nos noticiários, atitudes de corrupção, nepotismo e muito pouco (ou quase nada) as boas ações políticas. Há uma série de leis e políticas públicas importantes que foram pensadas por gente muito comprometida. Mas tenta-se colocar todos no mesmo saco. Se conhece apenas maus exemplos, o descrédito dos jovens a esta política institucional será natural.

A política vista por um olhar jovem, não entende a importância ou vantagens ao participar da política. Não compreendem que é de suma importância a participação dos deles na vida pública de sua população, do seu país. Afinal, como membro de uma sociedade, ele tem responsabilidade sobre os rumos que ela vai tomar. Porém isso não é responsabilidade apenas dos jovens, mas de todos. Por vezes, pretende-se lançar nos ombros da juventude toda a responsabilidade pela mudança social. E há também uma crença de que, por se tratar de jovem, a ação política que dele vem será sempre boa. Há jovens políticos no Congresso que defendem as mesmas posições conservadoras de seus pais, avós. Ao tratar do tema da participação, não podemos ignorar o seu conteúdo ideológico. Ou seja, não basta que o jovem participe apenas, mas como se dará esta participação e qual formação tem este jovem são questões fundamentais. O jovem não é naturalmente revolucionário. Dependendo do processo formativo que teve, pode ou não ter uma atitude revolucionária.

De uns tempos para cá, o conceito de juventude foi mudando, porque também a visão sobre os jovens foi se transformando. Dá para perceber os jovens não apenas como uma situação de vida, mas como também um grupo que se organiza a partir de características culturais e sociológicas próprias. Nós temos exigências que nos são feitas justamente pela condição de sermos jovens. Então a sociedade espera e exige determinadas coisas dos jovens, e nós temos que tentar dar respostas a elas. Conforme a percepção de sermos jovens vamos avançando, ele começa a perceber que, assim como a demanda social vem trazendo exigências, ela também tem que suprir uma série de necessidades que essa juventude possui. E das necessidades nascem os direitos. A necessidade gera uma pressão por parte da sociedade. Nesse sentido os jovens têm sido presentes para desenvolver esses direitos que vêm desencadeados por uma série de necessidades para toda a juventude.

O Conselho Nacional de Juventude, criado em 2005, é um órgão do governo federal que pretende acolher os projetos, as políticas públicas que são feitas para este grupo social específico. Então, órgãos do governo e da sociedade civil unem-se para discutir e apontar diretrizes de trabalho das políticas públicas para a juventude do Brasil. Antes de ser um projeto, é uma concepção, uma forma de entender a juventude, de entender o papel que a juventude tem no Brasil e qual a função que o estado, a sociedade e a própria igreja têm para com os jovens. É a gente entender que ser jovem é ser portador de direitos. Mas é também entender que falar dos direitos dos jovens é falar dos direitos humanos.

Há jovens que atuam em projetos sociais, projetos de transformação da realidade em alguma medida. Isso mostra uma vida que pulsa em todos os jovens e os ajuda a aprofundar conceitos, a propor políticas. É você desafiar o jovem que está lá no grupo de jovens, na sua escola, por exemplo, se pautar a discussão sobre os indígenas, os quilombolas... para que toda a sociedade pressione, no sentido de fortalecer esses grupos, para que a luta não seja só desses grupos, mas de todos. É a transformação da sociedade em uma sociedade para todos.

* Diogo Cunha, graduando em Direito e Gestão Pública.

Por: Redação

Tags: Articulistas, Diogo Cunha