Esporte

Foto: Philipe Bastos  Dentro de quadra, a timidez fica de lado e dá lugar à técnica e força física características do time Dentro de quadra, a timidez fica de lado e dá lugar à técnica e força física características do time

Com suas pinturas corporais, adereços e um linguajar típico, um grupo de meninas do Tocantins tem chamado a atenção durante os Jogos Escolares da Juventude (JEJ) 12 a 14 anos. Vindas do Centro de Ensino Médio Indígena Xerente (Cemix) Warã, na aldeia Centro da Terra Indígena Xerente, em Tocantínia, as atletas do futsal feminino do Tocantins têm tido vida de celebridade principalmente no Centro de Eventos, local do refeitório e do centro de convivência dos Jogos.

Entre os olhares curiosos dos atletas e treinadores, o sorriso tímido das indígenas contrasta com o desprendimento da maioria dos atletas que participa dos jogos. E oportunidade para serem notadas não faltaram, principalmente depois das entrevistas concedidas para equipes de televisão, sites de notícias e para o setor de comunicação do próprio Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Eu achei bom dar entrevista. Perguntaram se estamos gostando dos jogos e o que estamos achando de estar aqui”, disse Naiara Brupahi Xerente.

Mas, questionadas sobre o assédio durante a competição, dentro da simplicidade que a vida no interior do Brasil lhes permite, a resposta é direta. “Estou gostando”, disse Zuleide Krattudu Xerente, antes de responder “da cama”, quando perguntada sobre o que mais estava gostando da primeira vez fora do Tocantins, escondendo o sorriso entre as mãos ainda com vestígio de genipapo verde, fruto utilizado para fazer as pinturas de sua etnia.

Dentro de quadra, contudo, a timidez dá lugar ao futebol de salão e o olhar desconfiado, aos gols. Com muita força de vontade, as dificuldades são superadas e os resultados conquistados.

Isso a começar pela final estadual dos Jogos Estudantis do Tocantins (Jets), quando as alunas do Cemix Warã venceram as atuais campeãs estaduais e nacionais para conquistar a vaga na maior competição escolar do Brasil. Logo na estreia dos Jogos, 6 a 2 contra o time do Maranhão em um jogo que foi a cara da equipe tocantinense, começando tímido e soltando o sorriso no final. “Nosso time é assim mesmo”, enfatizou Keliane Xerente, autora de um belo gol do meio da quadra no primeiro jogo das meninas.

Dificuldades

O início, conta o professor Leandro Brito, foi complicado. Segundo o educador, que lecionava informática no Cemix, ainda existem grandes barreiras a serem trespassadas pelas meninas que representam o Tocantins no futsal. “Elas não são acostumadas a usarem tênis, só jogam descalças no campo de areia”, destacou.

Nos jogos nacionais, a dificuldade maior é lidar com o emocional das jogadoras. Com porte físico como ponto positivo e técnica de jogo em construção, o grande desafio é fazer com que elas mantenham o foco mesmo com todas as distrações que os Jogos possuem. “Esta é a grande dificuldade. Se elas mantiverem a concentração e conseguirmos controlar a parte emocional delas, temos muitas chances”, pontuou.

Grande oportunidade para despontar esportivamente frente a outros estados fortes, os Jogos Escolares da Juventude misturam competição com diversidade cultural, proporcionando aos alunos de todo o Brasil conhecerem realidades que normalmente não teriam oportunidade. Neste contexto, ressaltar a cultura indígena, naturalmente brasileira, é promover o enriquecimento sociocultural entre as crianças que, juntamente com o aspecto competitivo, é a tônica da maior disputa interescolar do Brasil.