Cultura

Foto: Divulgação Serão repassadas dicas sobre cuidados com cabelos crespos, amarrações de turbantes, penteados, rastafáris e outros Serão repassadas dicas sobre cuidados com cabelos crespos, amarrações de turbantes, penteados, rastafáris e outros

Um ato pelo respeito e liberdade e acima de tudo contra o preconceito. Essa é a proposta do Ato “Black da Independência” que será realizado no próximo domingo, 13, a partir das 16 horas no Capim Dourado Shopping em Palmas. O evento é realizado pelo Instituto Crespas.TO que realiza ações constantemente voltadas para a temática.

O evento vai reunir simpatizantes, formadores de opinião, militantes e principalmente pessoas de todas as idades que se interessam pela discussão, conforme explica a coordenadora do grupo, Maria José Cotrim. “O Black da Independência é um encontro aberto á toda a sociedade com o intuito de nos juntarmos num espaço público para reafirmamos o respeito á liberdade, a autoafirmação da identidade e principalmente trocarmos experiências e vivências contra o preconceito ainda latente na nossa sociedade. Estamos cansadas de padrões, de regras e estereótipos que só reafirmam o preconceito. Não é um movimento estético é um ato sobre libertação e representatividade”, explicou.

Conforme Cotrim, a intenção é provocar um debate social sobre o assunto. Para o Instituto, ações como essas são necessárias e precisam acontecer nas escolas, nos locais de trabalho, universidades e também nas redes sociais como relata a pedagoga Raquel Ribeiro, integrante do grupo. “Tentamos levar esse debate também para as crianças, ensiná-las as a valorizar a identidade, a cor da pele, aprender a gostar do cabelo e entender sua real identidade. Temos que combater as piadas racistas e a discriminação”, chamou a atenção. A orientação para pessoas vítimas de atos discriminatórios é outro foco de atuação do Instituto. “Racismo é crime e buscamos conscientizar as pessoas e mostrar como denunciar práticas discriminatórias”, conta Saly Guedes, também integrante do grupo.

As oficinas

O Instituto realiza atividades, palestras e principalmente oficinas de conscientização e de dicas sobre cuidados com cabelos crespos, amarrações de turbantes, penteados, rastafáris e outros. “Nós trabalhamos o eixo da conscientização a partir de nossas próprias histórias de preconceito que passamos desde crianças, os apelidos e a negação que muitas de nós passamos até a parte prática de auxiliar as meninas e mulheres a se cuidarem tendo em vista a falta de preparo da indústria da beleza para lidar com a diversidade”, relatou Daiane Biazoto.

As oficinas trabalham também com a quebra de estereótipos negativos com relação ao uso de assessórios da beleza como o turbante, por exemplo. “É um acessório infelizmente ainda carregado de preconceito e que reflete todo esse cenário de discriminação que vivemos”, conta Thaís Souza que ministra a oficina. O uso de tranças e rastafári são outros assuntos abordados pelo Instituto ás crianças, estudantes e público em geral das atividades. “As tranças são legado cultural, são lindas e mostram a diversidade, porém ainda são erroneamente descaracterizadas e nós trazemos uma outra abordagem com relação a isso”, pontua Joana de Cássia Valadares, responsável pela oficina. O Crespas.TO surgiu do Movimento Encrespa Tocantins e há mais de um ano levanta discussões, bate-papos e realiza eventos contra o preconceito.