Saúde

Foto: Divulgação

De 10 a 15% dos casais em idade reprodutiva têm dificuldade para engravidar e é crescente a demanda pelo congelamento de óvulos para preservação da fertilidade. Nesse cenário, o papel das técnicas de reprodução assistida já é bem conhecido e estabelecido no que se refere ao tratamento desses casais. Além das técnicas com baixa complexidade, como indução de ovulação e inseminação intrauterina, é utilizada também, com destaque, a fertilização de óvulos in vitro (em laboratório), com formação de embriões para posterior transferência para o útero.

Este procedimento, já realizado há mais de 35 anos, permite, por exemplo, que mulheres com obstrução das trompas ou homens com redução significativa da quantidade ou da qualidade dos espermatozoides possam ter filhos. Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas já tenham sido concebidas por fertilização in vitro (FIV), sendo que mais de 1,5 milhão de ciclos de FIV são realizados anualmente em todo o mundo.

Segundo o doutor Pedro Monteleone, diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, um grande avanço nos tratamentos de reprodução in vitro foi a introdução das técnicas de congelamento de espermatozoides e embriões, a crio preservação. “Nos últimos 30 anos, embriões congelados possibilitaram gestações, mesmo anos após o estímulo ovariano. Mais recentemente, a eficácia e a segurança do método permitiram, ainda, que se reduzisse o número de embriões transferidos em cada tratamento, o que tem resultado em taxas menores de gestações múltiplas, principalmente aquelas consideradas múltiplas de alta ordem, com três ou mais embriões implantados”, afirma o especialista.

Pedro acrescenta que no início do desenvolvimento da reprodução in vitro, as taxas de sucesso com o congelamento de óvulos eram muito baixas. “Como é uma célula grande, o óvulo se mostrava muito frágil para sobreviver à formação de cristais, que era frequente devido ao método utilizado, conhecido também como congelamento lento”. Foi na última década que surgiu a técnica conhecida como vitrificação. “Nela, se utilizam substâncias crioprotetoras em altas concentrações, levando o meio a um estado viscoso que permite que o resfriamento aconteça de forma ultra-rápida, evitando a formação de cristais e aumentando muito a taxa de sobrevida das células”, explica.

Mas o especialista alerta. “É fundamental que fique claro, que o congelamento de gametas, sendo óvulos ou espermatozoides, e de embriões não garante que o tratamento será bem sucedido. Jamais a existência de óvulos congelados deve desestimular uma mulher de tentar engravidar antes dos 40 anos. Isso porque, mesmo com óvulos mais jovens, o tratamento futuro poderá não resultar em gravidez”.