Saúde

Foto: Frederick Borges Teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce da doença falciforme Teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce da doença falciforme

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que 3.500 crianças nascem com a anemia falciforme por ano no Brasil e cerca de 200 mil apresentam o traço falciforme. No Tocantins, existe uma média de 500 pessoas em tratamento contra a doença e desde 2013 um total de 23 pacientes foram confirmados com a doença , segundo a Apae de Araguaína. A doença falciforme é hereditária, causada por uma alteração nos glóbulos vermelhos do sangue, que adquirem a forma de foice, daí o nome da doença. Essa alteração dificulta a circulação sanguínea, provocando complicações em praticamente todos os órgãos do corpo.  

Nesta terça-feira, dia 27 de outubro, é celebrado o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doença Falciforme, criado pela Lei Federal 12.104/09. Essa lei é considerada um importante passo com vistas ao incentivo às pesquisas e desenvolvimento de campanhas públicas de educação sobre a doença falciforme, que tem como principais sintomas: dores fortes nos ossos, dores articulares, fadiga intensa, atraso no crescimento, tendência a infecções, problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares e renais.

Vale lembrar que o teste do pezinho é fundamental para o diagnóstico precoce e deve ser feito na primeira semana de vida do bebê. Já em qualquer idade de vida da pessoa, o diagnóstico pode ser obtido através do exame de sangue eletroforese de hemoglobina que detecta o traço ou a doença.

Convivendo com a doença

A técnica de laboratório e diretora de Políticas Públicas da Associação dos Falcêmicos do Estado do Tocantins (Afeto), Velma Inácio, sabe muito bem como é a luta diária das pessoas que possuem a doença. É que a filha dela, que hoje tem 21 anos foi diagnosticada com a doença quando tinha apenas 1 ano e 5 meses de vida.

Após o diagnóstico, os pais buscaram informações e caminhos para proporcionarem uma melhor qualidade de vida à filha.  “Ela já sentiu muita dor, teve inchaços, passou por transfusões de sangue. Antes também sofríamos porque não havia tanto conhecimento médico, mas estávamos sempre buscando informações sobre a doença. Pela internet busquei por pessoas que também tinham a doença e pudemos compartilhar experiências”, contou a técnica, compartilhando um pouco das dificuldades que enfrentou.

Hoje, ela conta que a filha já lida melhor com a doença. “Ela teve uma fase na adolescência de não querer tomar a medicação, se esconder de todo mundo e de não aceitar a doença. Se isolou totalmente e foi muito difícil, mas com o tempo ela entendeu. Entendeu que por meio de toda a dificuldade eu obtive conhecimento da doença e estou podendo ajudar outras mães”, disse.

Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento adequado para os portadores da doença. No Tocantins, todo o tratamento é feito no Hemoto, localizado no Hospital Geral de Palmas (HGP), e no Hemocentro de Araguaína, e a medicação preconizada pelo SUS é distribuída pela Assistência Farmacêutica do Estado.

Quando descoberta a doença, o paciente deve ter acompanhamento médico baseado num programa de atenção integral. Nesse programa, os pacientes são acompanhados por uma equipe composta por profissionais treinados para orientar a família e o paciente a descobrir rapidamente os sinais de gravidade da doença, tratar adequadamente as crises e praticar medidas de prevenção. A equipe é formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos e dentistas e outros.

Programação

Em comemoração à data e na perspectiva de sensibilizar, divulgar e informar a sociedade, profissionais de saúde e acadêmicos, a Associação dos Falcêmicos do Estado realiza mobilização durante toda a semana, mas especialmente nesta terça, com palestras, rodas de conversa, distribuição de folhetos informativos, esclarecimentos, debates e entrevistas sobre a temática.

Dia 26 às 8h30 - Panfletagem - Arena dos Jogos Indígenas 
Dia 27 às 8h - Panfletagem Sesau 
Dia 27 às 19h - Conversa com os acadêmicos de Enfermagem da Fapal