Esporte

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Os Jogos Mundiais Indígenas mobilizou a capital no final de semana porém alguns indígenas procuraram o Ministério Público Federal para denunciar alguns problemas com alimentação e transporte.  Na reunia foram acordados alguns pontos como  a melhoria da assistência ás etnias.

A reunião contou ainda com a participação de representantes do Comitê Intertribal, Ministério dos Esportes, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria do Direitos Humanos da Presidência da República, Prefeitura de Palmas e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Durante a reunião, as lideranças indígenas puderam expressar as suas reivindicações. Ao final da reunião, os representantes do governos federal, estadual e municipal encaminharam soluções, como melhorar a estadia e participação dos indígenas brasileiros nos jogos mundiais.

O evento tem capacidade para cinco mil pessoas e muitos visitantes ficaram do lado de fora. Em reunião com o staff da presidência da República foi definido na noite de ontem que serão aumentadas o número de vagas, segundo explicou o articulador dos Jogos, Marcos Terena em entrevista na manhã desta segunda-feira, 26. “Na reunião com presidência da república, ministério dos Esportes apontamos uma solução de colocar as pessoas mais velhas, as que tem deficiência médica”, apontou Terena.Ele estimou que pelo menos 400 novas vagas deverão ser abertas para o evento.

A fila neste domingo foi grande e inclusive pessoas vindas de outros municípios não conseguiram entrar.

Terena  confirmou ainda a reclamação sobre a alimentações por parte dos indígenas. “As empresas não estão acostumadas com os indígenas e ninguém sabia da proporção desse evento aqui, a alimentação foi um ponto que as empresas tiveram que se adaptar mas ontem mesmo foi solucionado isso”, disse.

A programação neste domingo não aconteceu conforme o previsto o que frustrou alguns visitantes.

PEC

Críticas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere a decisão sobre demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o Congresso Nacional e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), deram a tônica dos discursos durante o painel internacional sobre agricultura familiar indígena. Os fóruns sociais indígenas, com apresentação de painéis e debates, fazem parte da programação dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI).

O público presente aplaudiu a fala de Diva Máximo, da etnia Wassu-Cocal, de Alagoas. “Essa PEC 215 quer acabar com os indígenas, tirar de nós os costumes tradicionais. E não é esse evento lindo e maravilhoso, feito com dinheiro que poderia ser usado para demarcar terra indígena, que vai me calar”.

A indígena Cristiane, da etnia Xucuru Kariri, também de Alagoas, pediu a palavra para se opôr à proposta que tramita no Congresso Nacional. “A PEC 215 está aí. Estamos clamando e chorando para que ela não aconteça. É preciso que o governo brasileiro respeite os povos indígenas do Brasil”.

Na cerimônia de abertura dos jogos, ocorrida na última sexta-feira (23), o líder Jeremias Xavante também chamou atenção para a questão. Ele aproveitou a lacuna no roteiro e tomou a palavra. Jeremias se dirigiu à presidenta Dilma Rousseff, presente no local, pedindo providências contra a PEC.

O representante do Panamá na Aliança pela Soberania Alimentar na América Latina, Jorge Stanley, lamentou a situação pela qual passam os indígenas brasileiros. “Sem território, não é possível ter soberania alimentar. Existe acordo internacional pelos direitos dos povos indígenas, é preciso apenas ratificar, mas a luta se faz no campo, se faz todo dia”.

Diva também mostrou um panfleto do Ibama orientando os turistas a não comprarem artesanato feito com penas de animais, e informando ser crime vender ou comprar artesanato feito com penas de animais silvestres. “Eu não posso pegar as penas das araras para fazer o meu artesanato, mas o fazendeiro pode desmatar nossas terras e expulsar os animais. Muitos índios estão sendo multados por causa de uma peça que leva duas penas de louro, duas penas de papagaio”.

Em seguida, a indígena Cristiane, da etnia Xucuru Kariri, de Alagoas, também criticou a postura do Ibama. “É triste ver a perseguição contra nossos parentes, que sobrevivem do artesanato. E o pessoal do Ibama multa e apreende nossos artesanatos, que vendemos para sustentar nossa família”.

De acordo com o Ibama, os índios podem usar peças feitas com partes de animais por questões culturais e tradicionais, mas não podem comercializá-las. A lei prevê prisão e multa de até R$ 5 mil por peça.

Desfile

O público presente na Arena Verde dos Jogos na noite desse sábado, 24, pôde conferir um desfile de beleza indígena. Segundo a organização dos JMPI, esse tipo de apresentação é bem tradicional nas festividades indígenas e desta vez reuniu representantes de diversos países.

Um tapete vermelho foi colocado no meio da arena e os atletas que, mais cedo, no período da tarde, participaram das demonstrações das modalidades tradicionais, se sentaram para prestigiar e torcer pelas representantes de suas aldeias.