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Foto: José Edgar A expectativa dos produtores da região Centro-Norte é de queda na produção de soja, uma vez que está sendo marcada pela escassez de chuvas A expectativa dos produtores da região Centro-Norte é de queda na produção de soja, uma vez que está sendo marcada pela escassez de chuvas

Com o objetivo principal de subsidiar o setor produtivo agrícola no processo de tomada de decisão para a sua propriedade rural, o Governo do Estado, por meio da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) em conjunto com a Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), realiza estudo técnico com a análise da situação pluviométrica parcial no Estado do Tocantins, ocorrida durante o ano hidrológico de 2015/2016.

Este estudo técnico foi realizado pelo Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos (Nemet/RH), da Unitins em parceria com a Seagro e faz parte do monitoramento de tempo e clima diário realizado pelo Nemet/RH e os dados utilizados estão disponíveis pela internet com domínio público, através das ferramentas dos órgãos oficiais de meteorologia no País. Além dos dados utilizados, este estudo também estará disponível no Portal da Agrometereologia da Seagro: agrometeorologia.seagro.to.gov.br/.

As adversidades climáticas estão entre as maiores causadoras de queda na produtividade das lavouras, e esse efeito foi intensificado pela ação do El Niño. O fenômeno, considerado um dos mais fortes dos últimos anos, continua atuando nas condições do clima no mundo todo, e no Tocantins provocou um desequilíbrio no calendário das águas, que tem períodos de chuva bem definidos, acontecendo entre os meses de outubro e maio.

Índice pluviométrico

De acordo com o estudo técnico, em todo o Tocantins o semestre mais chuvoso compreende os meses de outubro a março, com valores máximos ocorrendo geralmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, representando 90% da precipitação média anual que se enquadra em um regime de chuvas nitidamente tropical.

De forma geral, observa-se em toda a bacia a ocorrência de um trimestre com baixos índices de precipitações nos meses de junho, julho e agosto, cujo volume não totaliza 10,0 mm, contribuindo com pouco menos de 1% para o total anual. 

Para avaliar o regime pluviométrico parcial no Estado do Tocantins foram utilizadas nove estações automáticas e duas convencionais pertencentes ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Pedro Afonso, Araguaína, Porto Nacional, Taguatinga, Palmas, Campos Lindos, Formoso do Araguaia, Araguaçu, Dianópolis, Araguatins e Santa Rosa do Tocantins.

A conclusão do estudo técnico elaborado pelo Nemet/RH foi que o período chuvoso 2015/2016 manteve as condições de déficits consideráveis em todas as regiões do estado do Tocantins

Setor agrícola

As expectativas dos produtores para a safra de grãos 2015/2016, é de queda na produção, uma vez que está sendo marcada pela escassez de chuvas, acarretando assim, uma série de eventos que terão impacto negativo na produção final.

Segundo o secretário do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária, Clemente Barros o clima tem sido bastante irregular nas regiões produtores de grãos. “A escassez da chuva trouxe atraso no plantio, e em algumas propriedades, a necessidade de replantar áreas e diminuição de área. E a situação continua desfavorável para o agricultor tocantinense, ainda não sabemos a dimensão exata da perda, pois este dado só será possível com o 6º levantamento da Safra de Grãos 2015/2016 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que deverá ser divulgado na próxima semana”.

Região Centro-Norte

Na última segunda-feira, 22, a prefeitura de Pedro Afonso, região produtora de grãos na região Centro-Norte do Estado, decretou situação de emergência nas áreas produtivas afetadas pela estiagem. O site da região, Centro-Norte Notícias publicou matéria sobre o assunto, e relata que, assinado pelo prefeito Jairo Mariano, durante reunião com o presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, Edmar Correa, o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), Ricardo Khouri, e produtores de grãos, o decreto justifica que a falta de chuvas provoca o stress hídrico das lavouras e pastagens e já causa prejuízos a produtores de soja e criadores de gado.

Ainda de acordo com a matéria, para embasar o decreto, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil vai produzir um relatório técnico com dados sobre o volume de chuvas, laudo técnico das áreas, memorial fotográfico, entre outras informações relevantes.

Previsões

De acordo o meteorologista do Nemet/RH, José Luiz Cabral da Silva Júnior, o El Niño segue em pleno desenvolvimento, a previsão de término do fenômeno é somente em junho, até lá a tendência continua de baixa precipitação. “O último trimestre de 2015 foi atípico, marcado pela falta de chuva, em janeiro, também atípico com um volume maior e a tendência para fevereiro, março e abril é que continue abaixo do nível climatológico. Para o setor agrícola, os prejuízos são inevitáveis”, prevê.