Polí­cia

Foto: Divulgação
  • Local onde teria ocorrido sessão de tortura

Os moradores de Araguatins/TO Wando Bispo Almeida, Francisco Edson Bispo Almeida, Francidalva Cosmo Carvalho e Mario Pereira da Silva, acusam policiais da 4ª CIPM de Araguatins de torturas, abuso de autoridade, invasão a domicílio, constrangimento ilegal, violência doméstica e lesão corporal. Tudo teria acontecido após o assalto ao Banco do Brasil ocorrido no município. O fato foi levado ao conhecimento do Ministério Público Estadual (MPE).

Wando Bispo declarou ao MPE que estava na casa do irmão, Francisco Edson, por volta das 10 horas, quando foi surpreendido por vários policiais com armas em punho e lanternas. Segundo afirmações de Wando, os policiais invadiram a casa, os colocaram de joelho com as mãos nas cabeças e iniciaram tortura psicológica. Wando disse que, enquanto ele e o irmão eram interrogados por alguns policiais, outros revistavam a casa.

Segundo Wando, os policiais não encontraram nada que poderia comprometê-los, mas os agentes insistiam em insinuar envolvimento dos dois no assalto ao banco ocorrido em Araguatins. Após interrogatório e início de tortura, segundo consta em declaração ao Ministério Público, na manhã do outro dia, Wando e Francisco foram surpreendidos com mais policiais. Segundo depoimento de Wando  ao MPE, chegaram mais policiais em duas caminhonetes da polícia, lotadas de agentes, iniciando, mais uma vez, a onda de torturas. Os policiais teriam então, segundo a denúncia, os levado para a penumbra formada pelas sombras dos veículos, e lá teriam então levado chutes nas costas, pisadas e muitos socos, aos gritos dos policiais que ordenavam que confessassem a verdade. Os denunciantes alegam também que foram ameaçados de morte, segundo consta na declaração ao MPE.

Wando Bispo ainda declarou que ele e o irmão foram colocados dentro de um carro, foram levados para uma via e, mais uma vez, torturados, chutados, e agredidos de cassetete e pedaços de madeira. Wando informou que dizia a todo tempo aos policias não ser bandido e que tinha como comprovar através de documentos que nunca havia participado de coisas de tal natureza e que, inclusive, já havia concorrido ao cargo de vereador e que era bem conhecido. Wando ainda diz em declaração que seu irmão, Francisco, sendo torturado, também afirmava ser conhecido por pessoas importantes como Jair Acássio e o ex-prefeito do município e atualmente deputado estadual, Rocha Miranda. Depois disto, segundo o denunciante, os policiais ficaram mais furiosos e um deles teria declarado que o referido ex-prefeito e atualmente deputado era um bandido que estava envolvido nos roubos a banco e que agora, eles – os agentes – eram concursados e não podiam ser perseguidos por ele”, teria dito o policial, segundo declaração de Wando Bispo Almeida ao MPE. 

Wando disse que uma mulher também participou e o agrediu com toras de madeira e ainda, segundo sua declaração, um dos policias sacou a arma e atirou próximo ao seu ouvido enquanto ele permanecia com o rosto ao chão. De acordo com afirmações de Wando ao MPE, a polícia resolveu deixá-los e, somente uns 10 minutos depois que a polícia deixou o local de tortura foi que tiveram coragem de se levantar. 

Francidalva

Francidalva Cosmo Carvalho também prestou declarações ao Ministério Público Estadual e, segundo ela, por volta das 22 horas do dia 1° de março, policiais invadiram sua casa procurando armas, jogaram seu esposo no chão e apontaram arma em sua cabeça, o chamando de bandido. Segundo declaração de Francidalva, os agentes passaram cerca de 40 minutos com a ameaças e foram embora. Mas, segundo Francidalva, os agentes voltaram por volta das 5 horas, pegaram seu esposo e cunhado, jogando-os ao chão agredindo-os novamente. "Bateram muito, feito dois cachorros" disse a declarante que ainda afirmou que o filho do casal de 10 anos começou a gritar no quarto.

De acordo com declaração de Francidalva, os policiais levaram seu marido e cunhado para o lado de fora da casa e os torturaram. Segundo o depoimento, os policiais bateram muito e o povoado inteiro acordou ouvindo os gritos de dor. Ainda segundo Francidalva, depois de 30 minutos de agressão, os policiais levaram os dois homens para o mato onde a tortura foi ainda maior. O marido de Francidalva teria sido pressionado para “abrir o jogo e entregar tudo”. Segundo o depoimento de Francidalva, os agentes teriam dado dois tiros raspando no ouvido do seu marido.

Mario 

Mario Pereira da Silva declarou ao MPE que já estava deitado quando a polícia chegou mandando abrir a porta. Quando entraram, segundo sua declaração, o algemaram e o encheram de socos e chutes, o chamando de vagabundo e bandido. Mario disse ao MPE que depois de meia hora de tortura e interrogatório, foi levado para o mato, cerca de 500 metros de distância, o colocaram de joelho e afirmavam que iriam executá-lo. Segundo declaração, os agentes efetuaram um disparo de arma de fogo próximo ao seu ouvido. Mario declarou que a proprietária da casa, Maria Eunice da Cruz Miranda, também sofreu ameaças e encontra-se em estado de choque. O filho de Maria Eunice, Iosley da Cruz Miranda, segundo declaração de Mario ao MPE, foi brutalmente agredido e ameaçado e teve seu aparelho celular levado pelos agentes. 

Polícia Militar e Segurança Pública

O Conexão Tocantins entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar para que o Comando Geral da PM encaminhasse nota se posicionamento sobre a denúncia, entretanto a PM, por meio de sua assessoria informou que não foi notificada a respeito dos fatos.

O Conexão Tocantins também entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e a assessoria de imprensa da Secretaria informou que, por tratar-se da Polícia Militar, a SSP não irá se manifestar.