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A cada 10 cidades brasileiras, sete perdem pelo menos 30% de toda a água tratada. É que sinaliza um estudo produzido pelo Instituto Trata Brasil, que analisa a situação do saneamento básico nas 100 maiores cidades do País. Apesar de representarem somente 1,8% do total, as 100 cidades concentram 40% da população brasileira.

Segundo o material, das 100 cidades analisadas, apenas 7 obtiveram perda inferior ou igual a 15% da água faturada. Esse é o índice apontado como ideal pelas autoridades da área. No outro extremo, 10 das cidades registraram perda superior a 60% da água faturada. O indicador médio é de 41,9%.

Isso quer dizer que a água recebe tratamento e se torna potável pelas empresas responsáveis, mas uma parte dela não é faturada. Entre as causas estão vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição de hodômetros.

"Perder até 30% da água não é nenhuma maravilha, mas as empresas pelo menos conseguem receber o dinheiro de 70% da água tratada, o que é razoável. Agora imagina ter gastos com funcionários e com produtos químicos e ainda não conseguir receber 60%, 70% do que produziu. É um absurdo", alerta o presidente executivo do Instituto, Édison Carlos.

Ciclo vicioso

Segundo ele, os índices de perdas de faturamento contribuem para criar um ciclo vicioso nas cidades com os maiores indicadores. Isso porque, quanto mais elevado o índice, menos retorno financeiro e, por conseguinte, menos investimentos na própria rede de saneamento.

Carlos sinaliza, ainda, que a troca de redes antigas e instalação de tecnologias de rastreamento fazem com que o desperdício e o roubo de água diminuam. Com menos desperdício, é possível arrecadar mais e reaplicar esse montante em mais água e esgoto.

Ranking

O estudo tomou como base os dados mais recentes do Ministério das Cidades sobre saneamento no Brasil, publicados em 2014. Além dos índices de perda de água faturada, o Instituto analisa um conjunto de indicadores de saneamento para dar notas e fazer um ranking das 100 cidades analisadas.

Perda ambiental

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) ressalta que o desperdício de água potável, além de representar um enorme prejuízo para concessionárias de tratamento de água e perpetuar o círculo vicioso do tratamento de água, também atesta um enorme contrassenso ambiental na situação atual.

Para a entidade, esse volume de água perdido é precioso, especialmente para as milhares de cidades que enfrentam graves problemas com a seca. Portanto, o reúso da água deve ser considerado. A Confederação alerta, ainda, os gestores sobre a perda de investimentos no abastecimento público de água, que representará prejuízos ao meio ambiente e à administração. (CNM)