Polí­tica

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A deputada federal Josi Nunes (PMDB/TO) afirmou em discurso na tribuna da Câmara dos Deputados na noite desta segunda-feira, 28, que o País vive um caos e que o PMDB Tocantins defenderá amanhã o rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). "Diante dos fatos o PMDB do Tocantins reuniu na semana passada e tomamos então a nossa decisão: defenderemos na reunião de amanhã (29), a reunião do PMDB, o rompimento com o governo e a entrega imediata de todos os cargos", afirmou. 

Segundo a parlamentar, o Brasil vive uma profunda crise moral, ética, política social e econômica. Josi falou em caos. "Temos que aprender a assumir a nossa responsabilidade e capacidade de articulação criativa para mudar a ordem das coisas. Mas felizmente essa espera não é de estagnação, apatia ou desanimo. É sim, de indignação, de protesto, de manifestações, fruto de ações conscientes, ou não, mas é extremamente rico o cenário que se apresenta pois significa uma reação fecunda, ativa diante do caos que se apresenta", disse. 

Para a parlamentar, a crise no País é reflexo de um povo que questiona o modelo atual de gestão e busca novas alternativas sintonizadas com os reclames da sociedade. "Esta crise é reflexo do desejo de progresso social e econômico. Esta crise é sinal de indignação a uma camada dirigente que perdeu o valor ético na condução da coisa pública", afirmou. 

Para Josi, as manifestações traduzem o desejo de mudança. "Traduzem o desejo de mudança, traduzem o rompimento com este cenário degradante e vergonhoso da corrupção que rouba sonhos e esperanças", frisou. Josi disse que o impeachment não é um golpe. "O impeachment é uma realidade e não é um golpe. Nós do PMDB temos responsabilidade diante dos fatos, pois apoiamos este governo e continuamos fazendo parte do mesmo, mas o limite se esgotou", sustentou. 

Josi Nunes afirmou que houve avanços inegáveis no governo, mas que a distorção dos princípios éticos e a busca por poder a qualquer custo "trouxe retrocessos a todos os avanços conquistados. Este modelo se esgotou. É grave e perigoso o momento que se apresenta. É hora de uma lúcida e corajosa tomada de decisão pois navegar é preciso", disse a parlamentar. 

A peemedebista parabenizou o Ministério Público, a Polícia Federal e os órgãos do judiciário e disse que ninguém está acima da Lei. "Todos que utilizaram a coisa pública para cometer irregularidades, devem ser punidos", defendeu. 

Posição da bancada tocantinense

Além da deputada Josi Nunes que deu sinais claros quanto ao posicionamento que deve tomar na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, até o momento, dos oito parlamentares tocantinenses na Câmara dos Deputados, já se definiram pelo voto no impeachment da presidente Dilma, o deputado César Halum (PRB), a deputada Dorinha Seabra Rezende (DEM), Carlos Gaguim (PTN) e, provavelmente, a deputada e primeira-dama do Estado do Tocantins, Dulce Miranda (PMDB), em função da orientação do PMDB no Estado. 

Já o deputado federal Lázaro Botelho (PP) considera prematuro assumir uma posição agora, sem ter analisado todos os aspectos do processo. Segundo o deputado, embora seja membro da base do governo, ele fará uma cuidadosa análise do processo, dos argumentos da defesa e da acusação, para só aí decidir seu voto. O parlamentar informou que a decisão será tomada em conjunto com a bancada do seu partido, que ainda irá reunir-se para discutir o assunto. 

Para Lázaro Botelho, no momento é preciso ter serenidade e responsabilidade para tomar uma decisão. "Que essa questão seja o mais rapidamente resolvida, pois o Brasil não pode continuar assim, imerso em uma grave crise política que está imobilizando o governo e levando ao agravamento da crise econômica", sustenta o deputado. 

O deputado Vicentinho Júnior (PR) também prefere ainda não posicionar-se sobre o impeachment. O parlamentar está analisando o cenário político. 

Completando o grupo dos oitos parlamentares tocantinenses na Câmara dos Deputados, Irajá Abreu (PSD), até o momento, é o único que dá sinais que votará contra o impeachment da presidente Dilma. O deputado é filho da ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, tida como uma fiel aliada da presidente. Especula-se, inclusive, que a ministra possa deixar o PMDB e regressar ao PSD, liderado nacionalmente pelo ministro das Cidades Gilberto Kassab. (Matéria atualizada às 23h52min)