Meio Ambiente

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Deve chover abaixo do normal no Nordeste e parte do Norte no próximo trimestre. A previsão climática para os meses de abril, maio e junho é do Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e foi divulgada no último dia 23 de março.

Ainda segundo o documento, existe uma probabilidade maior de que haja um volume de chuvas abaixo do normal climatológica na faixa que vai do norte do Pará ao leste da Bahia.

O meteorologista, Gilvan Sampaio de Oliveira, explica que a área sofre forte influência do fenômeno El Niño e do aumento da temperatura do Oceano Atlântico. O período do outono – no qual está inserido o trimestre da previsão – representa a estação chuvosa do Nordeste.

"São dois fatores que atuam conjuntamente. O El Niño influencia na região Norte e o nordeste da região Nordeste. A parte leste do Nordeste é influenciada pela temperatura mais alta do Atlântico. Mas ambos tendem a diminuir o volume de chuvas", explicou o pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), que faz parte do GTPCS.

Região Sul

Na parte mais ao sul de Mato Grosso do Sul e em toda a região Sul, as previsões indicam que o total pluviométrico ficará acima da média histórica. Nas demais áreas do Brasil, há baixa previsibilidade para o trimestre de abril a junho, o que implica em igual probabilidade de as chuvas ficarem acima, abaixo ou na média.

O fenômeno El Niño vem perdendo força no Pacífico Equatorial, principalmente na área mais próxima à costa oeste da América do Sul. Por outro lado, houve variações positivas na temperatura nas porções central e oeste do Pacífico Equatorial nas últimas quatro semanas. Diante disso, o fenômeno ainda pode influir na distribuição de chuvas sobre o Brasil nos próximos meses.

Há ainda a oscilação sul do El Niño, conhecida como Enos. Esta variação do fenômeno pode influenciar na ocorrência de chuvas sobre o norte da Região Nordeste e toda a Região Sudeste. Na primeira área, o Enos pode inibir as chuvas, enquanto na segunda ele pode estabelecer o fim da estação chuvosa.

Temperatura

As temperaturas têm maior probabilidade de variar entre valores normais e acima da média em quase todo o Brasil. Além disso, o grupo de trabalho destacou o aumento de incursões de massas de ar frio no território nacional no decorrer do trimestre, devido à chegada do outono. Isto pode levar a uma queda acentuada das temperaturas no centro-sul do Brasil.

"A média pode ficar mais alta porque ainda há influência das temperaturas do verão. Mas, com o início do outono, as massas de ar frio começam a penetrar no território do Brasil. Por isso, as temperaturas devem cair, mas mesmo assim deve ficar acima da média", disse Gilvan Sampaio de Oliveira.

Fazem parte do GTPCS/MCTI o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), todas entidades vinculadas ao MCTI. A previsão por consenso é baseada na análise das condições diagnósticas oceânicas e atmosféricas globais e de modelos e estatísticos de previsão climática sazonal. (CNM)