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Vista por muito tempo como um dos principais emissores de dióxido de carbono (CO2) no meio ambiente, a agricultura há algum tempo ostenta o título de contribuir para o efeito estufa no planeta. Um estudo conjunto realizado recentemente por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e da Faculdade São Francisco de Barreiras (Fasb), desmistifica essa ideia, mostrando que a atividade praticada de modo sustentável pode contribuir para a redução do gás poluente, através da absorção e retenção do CO2 no solo.

Intitulada de “Agricultura sequestradora de carbono”, a pesquisa foi realizada em dez sub-regiões do cerrado do Oeste baiano, totalizando uma área de aproximadamente 1,98 milhão de hectares, onde foram coletadas aleatoriamente 800 amostras de solos, em três profundidades, avaliando o teor de matéria orgânica em cada uma delas.

O resultado foi surpreendente: as análises comprovaram que as áreas de produção agrícola no Oeste baiano acumulam, em média, cerca de 12,30 milhões de toneladas de MOS (Matéria Orgânico no Solo) e 16,4 milhões de toneladas de CC (Crédito de Carbono) a mais do que os solos do cerrado natural.

O diretor de Águas e Irrigação da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Cisino Lopes, que integra a equipe de pesquisadores, explica o processo: “Ao se plantar culturas anuais, em ciclos repetitivos, o solo passa a receber todos os anos uma quantidade significativa de matéria orgânica, e em pouco tempo ocorre um acúmulo desta matéria no solo das áreas sob plantio em relação ao cerrado natural, configurando, assim, o sequestro do CO2 atmosférico, por meio do processo de fotossíntese, pois a planta absorve o gás da atmosfera, transforma em fibras e nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e acumula matéria orgânica no solo”, observou

A tese é confirmada também por alguns estudos feitos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que atestam que práticas, como o manejo adequado do solo, podem contribuir para que a agricultura seja uma das principais atividades sequestradora do gás causador do desequilíbrio climático.

O estudo revelou ainda que o Oeste da Bahia tem um bioma equilibrado com o acúmulo crescente de carbono por hectare em áreas exploradas por culturas anuais de soja, milho e algodão. Isso significa que a agricultura de alta produtividade praticada na região é sustentável, ou seja, não poluente, e contribui para o equilíbrio ambiental.