Meio Ambiente

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Graças à parceria entre o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e o Instituto Onça Pintada, organização não-governamental (ONG) dedicada exclusivamente a conservação da onça pintada, a misteriosa morte de 70 das 80 galinhas de uma proprietária rural no município de Palmas, finalmente foi esclarecida. Diante da pressão do desmatamento exercida sobre a fauna, tem se tornado uma tendência da população acreditar que esse tipo de ocorrência, aparentemente incomum, sempre tenha relação com a visita inoportuna de algum animal silvestre.

No final do mês de abril, o Naturatins foi comunicado que uma onça estaria atacando com grande frequência o galinheiro de uma proprietária rural, causando grande prejuízo. Desde 2014, ano em que os técnicos receberam um treinamento para esse tipo de ocorrência, o Instituto já soma 20 solicitações de produtores rurais de todo o Estado, para auxílio no diagnóstico da causa de perdas em seus plantéis, com suspeitas de prejuízos causados por animais silvestres.

Para averiguar o fato, a equipe de supervisão de Fauna do Naturatins foi ao local e verificando que não havia a preservação dos vestígios, os técnicos entraram em contato com a ONG, para obter auxílio na identificação de uma suposta onça.

E mais uma vez, o verdadeiro responsável, foi identificado com a ajuda da tecnologia de duas ‘câmeras trap’ instaladas no galinheiro. Esse equipamento captura imagens diurnas e noturnas, com disparos acionados pelo sensor de movimento, gravando o registro da data e horário da invasão  na câmera. E de acordo com informações da equipe de diagnóstico, o animal flagrado na investida registrada durante a madrugada, foi uma surpresa para a proprietária, que afirmou, jamais ter imaginado que um cão doméstico poderia estar matando as suas galinhas.  

A médica veterinária e supervisora de Fauna do Naturatins, Grasiela A. Pacheco, esclarece que é necessário ter a certeza de que o caso se trata de predação por animais silvestres. "A perda de animais de produção podem ter diversas causas, geralmente são resultado do manejo inadequado. Casos esporádicos de mortes, por animais silvestres podem ocorrer, mas são consequência de um ambiente favorável, com presas acessíveis e fáceis. Não existe maldade é apenas o instinto a predação dentro da cadeia alimentar", explicou a supervisora.

Grasiela reforçou ainda que, “encontrar animais mortos ou que somem misteriosamente, não pode ser associado a predadores silvestres apenas pela ‘crença ou cultura’ das pessoas. Existem alternativas para o convívio harmonioso com os animais e a natureza”, complementou a médica.

No Naturatins, existem registros de casos semelhantes ao desse animal, que se tratava de um cão doméstico e não da temida onça, que sempre leva a culpa, conforme informações do setor responsável. Essas situações causam preocupação ao setor de supervisão de Fauna do Instituto, por intensificar a sensação de conflitos na convivência entre homens e animais, na população, até que sejam esclarecidos.

ONG    

O Instituto Onça Pintada é uma das organizações que tem o compromisso com o equilíbrio e a segurança da espécie. Sua equipe não mede esforços para ampliar o conhecimento e promover a coexistência pacífica entre os homens e a onça, pois considera um importante predador do topo da cadeia alimentar, que contribui com o equilíbrio da população de suas presas.

Por: Redação

Tags: Grasiela A. Pacheco, Naturatins