Saúde

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Na tarde dessa terça-feira, 14, a promotora de Justiça Maria Roseli de Almeida Pery realizou uma vistoria no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR), com o intuito de averiguar as denúncias de superlotação da unidade hospitalar e as providências tomadas com relação ao problema. Todas as falhas de gestão apontadas na reunião foram incluídas em uma Ação Civil Pública (ACP) que tramita na Justiça Federal, a qual requer soluções para os problemas da saúde pública no Estado.

A dificuldade encontrada pela grávidas tocantinenses para conseguir atendimento adequado no Tocantins foi reportada pelo jornal de repercussão nacional, o Bom Dia Brasil, nesta quarta-feira, 15. 

Após visitar leitos e conversar com gestantes, a promotora de justiça requisitou à direção da unidade a relação das gestantes internadas em local adequado e das que aguardam internação, relação das crianças que nasceram com anóxia (falta de oxigênio), relação dos óbitos maternos, fetais e neonatais com as devidas investigações de suas causas.

Na ocasião, os representantes da direção do hospital informaram que em Palmas é respeitado o direito da gestante em conhecer e estar vinculada, desde o pré-natal até o parto, ao local onde será atendida, conforme preconiza a Lei nº 11.634/2007. Porém, a demanda proveniente de municípios vizinhos, como Porto Nacional, Paraíso do Tocantins, Miracema e Dianópolis, chega ao HMDR em busca de atendimento, causando superlotação de leitos. Estas unidades hospitalares possuem em seu quadro funcional dois obstetras capacitados para realizar partos, salvo a unidade de Miracema, que conta com apenas um especialista.

O alto número de cirurgias cesarianas no HMDR também é preocupante, pois os dados mostram que o quantitativo está acima da média estabelecida pela Política Nacional de Assistência à Gestante. Este fato compromete a rotatividade dos leitos e o acesso das demais gestantes, uma vez que o tempo de internação de uma mulher que realizou um parto cesariana é maior, se comparado àquela que teve um parto normal.

Como resultado prático, nesta quarta-feira, 15, Maria Roseli retornou ao HMDR e constatou uma melhora na rotatividade dos leitos. Ela reuniu-se com a direção da unidade, que sugeriu à Secretaria Estadual da Saúde que providencie anestesistas e pediatras para atender às demandas dos hospitais das cidades vizinhas, com o objetivo de diminuir o fluxo de pacientes que aportam em Palmas.

Por fim, foi confirmada pela direção do hospital a necessidade de mais 10 profissionais nas áreas de ginecologia e obstetrícia, além de outros 10 na pediatria. Uma reunião do Comitê Gestor, formado por Secretários de Estado, está marcada para a próxima sexta-feira, 17, para tratar das irregularidades apontadas nas vistorias realizadas pelo Ministério Público Estadual.