Esporte

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Para os dependentes químicos, conseguir recomeçar a vida longe das drogas é um caminho árduo e cheio de obstáculos. Porém, os alunos da Casa Terapêutica Bom Pastor na cidade de Araguaína, região Norte do Estado, contam com um reforço mais que especial, o esporte. Através das aulas de jiu-jitsu, ministradas duas vezes por semana na casa de recuperação, eles têm a oportunidade de um novo começo. As aulas já acontecem há cerca de um ano e meio e é uma realização do Projeto Ana em parceria com a Fundação Restaurar. São realizadas toda terça e quinta e o projeto atende atualmente cerca de vinte alunos.

Segundo o professor Enoque Inácio de Araújo, os treinos aliados ao estilo de vida na casa de recuperação são excelentes ferramentas para ajudar a manter o equilíbrio entre saúde mental e saúde física dos ex-dependentes. “Muitos deles chegam desanimados, mas rapidamente percebemos uma melhora. O esporte é um estímulo para eles continuarem com o tratamento, além  da qualidade de vida e saúde”, conta. Segundo ele, além de melhorar o condicionamento físico e mental – geralmente debilitado com o abuso de drogas – a prática esportiva desenvolve as chamadas habilidades sociais. “O exercício físico normaliza os níveis das áreas de atenção, memória e controle motor, além de estabilizar os níveis de ansiedade”, explica.

Recomeço

Com apenas 16 anos de idade, o estudante A.N.M acaba de chegar à casa de recuperação e encontrou no espaço oportunidades. Com uma ilusória sensação de segurança e curiosidade, ele usou diversos tipos de drogas lícitas e ilícitas por influência de amigos e acabou no vício. “Foi uma das fases mais difíceis da minha vida”, lamenta. Contudo, há apenas um mês nas aulas de jiu-jitsu, ele já faz planos para a recuperação. “Aqui a gente se trata mentalmente, espiritualmente e fisicamente. Eu tenho a certeza de que vou sair livre daqui para nunca mais me envolver com essas coisas e até com um esporte para treinar e continuar cuidando da mente, corpo e espírito”, declara o jovem estudante. Segundo ele, a abstinência da droga provoca um stress natural, mas com o jiu-jitsu tem aliviado as tensões diárias. “A gente fica contando as horas para chegar os dias das aulas porque é um momento não só de descontar o stress, como também praticar um esporte”, complementa.

Companheiro de tratamento na mesma casa de recuperação, V.F.J faz as aulas há cerca de seis meses e conta que as aulas de jiu-jitsu auxiliam não só na sua defesa pessoal e prática de atividade física, mas são a porta para o que ele intitula como ‘uma nova vida’. “Lá fora eu estava indignado com a vida, perdi as pessoas mais próximas, perdi amigos, vivia em um mundo discriminado, fazia muita coisa errada, mas aqui na casa de recuperação encontrei pessoas que se importam com a gente, que falam todo dia que Deus está comigo e que eu vou conseguir mudar. Eu sempre tive vontade de treinar, de praticar um esporte e nunca tive condições. Com as aulas de jiu-jitsu e as atividades diárias da Casa, eu encontrei uma nova janela para a vida. Antes eu me considerava um abandonado pela sociedade e hoje me considero um novo homem, que está cheio de vigor para lutar em busca de seus sonhos, e hoje eu tenho a certeza de que o esporte é um dos primeiros na lista destes sonhos”, conta emocionado o ex-dependente químico.

Material esportivo

Na tarde desta quinta-feira, 12, os alunos de jiu-jitsu da Casa Terapêutica Bom Pastor tiveram uma nova conquista. Através da Fundação Restaurar, eles receberam novos uniformes e equipamentos para as aulas, como faixas, saco de pancadas, aparadores de chute e soco, luvas e protetores. “Este tipo de serviço social é muito importante e nós acreditamos na recuperação destes jovens. Que vocês façam bom proveito desse material e saiam daqui totalmente diferente de como vocês entraram”, comenta a assessora da Fundação Restaurar em Araguaína, Ana Rachel.

A entrega dos novos equipamentos aconteceu durante aula de jiu-jitsu e contou também com a presença do diretor da Casa Terapêutica, o pastor Antônio Francisco dos Santos; do vice-presidente do projeto Ana Charleston de Sousa Abreu.