Saúde

Foto: Josy Karla A mãe Livia Raysa  conta que descobriu na gravidez que o filho tinha fissura labiopalatina e o bebê já passou pela cirurgia A mãe Livia Raysa conta que descobriu na gravidez que o filho tinha fissura labiopalatina e o bebê já passou pela cirurgia

Fissura labiopalatina ou lábio leporino é uma abertura que começa na lateral do lábio superior, dividindo-o em dois segmentos. Essa falha no fechamento das estruturas pode restringir-se ao lábio ou estender-se até o sulco entre os dentes incisivo lateral e canino, atingir a gengiva, o maxilar superior e alcançar o nariz. O lábio leporino não é alteração apenas de caráter estético, mas causa problemas de saúde que pode ir desde a má alimentação até problemas respiratórios, de fala e audição.

Sabendo disso e para oferecer um cuidado especial a estes pequenos pacientes, o Hospital Geral de Palmas (HGP) oferece um serviço de reconstrução crânio facial no ambulatório do HGP e dentro desse serviço está o tratamento do lábio leporino. O tratamento envolve consultas, avaliação da equipe multiprofissional e realização de procedimento cirúrgico. Desde 2014, já foram atendidos 79 pacientes para tratamento de fissura labiopalatina.

Além do procedimento cirúrgico o hospital também oferece o processo de reabilitação, que conta com auxílio da equipe multiprofissional composta por cirurgião plástico, cirurgião buxomaxilofacial, cirurgião dentista, implantodentista, ortodentista, fisioterapeuta, fonoaudiologista.

De acordo com o cirurgião plástico e especialista na área de fissura labiopalatina do HGP, Jonas Lima, o tratamento do paciente inicia desde o nascimento. “O bebê que nasce com fissura pode ter condições normais como qualquer outra criança e se tiver um atendimento adequado no nascimento, vai ter capacidade de sucção e terá o aleitamento materno, desde que não tenha outros problemas de saúde, como  alguma síndrome associada a fissura”, afirmou.

O especialista lembra ainda que a  ultrassonografia possibilita o diagnóstico ainda na gestação. Nessa fase, os pais devem receber informações sobre as possibilidades de tratamento e deve ser aguardado o nascimento da criança.” Muitas vezes o bebê é diagnosticado por meio de exame de ultrassom, mas há casos de mães que descobrem o diagnóstico somente no nascimento dos filhos, por isso a importância da realização de um pré – natal bem feito”, reforça.

Como funciona o tratamento?

Os pacientes que necessitam do procedimento cirúrgico são encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ao Serviço de Regulação do Estado, que organiza o fluxo no HGP. Os atendimentos são realizados todas as quartas-feiras, a partir das 13h. A primeira cirurgia realizada é a cirurgia do lábio e normalmente a criança deve ter entre três e seis meses.

A fisioterapeuta do serviço, Talita Brunes, atende pacientes fissurados no pós-operatório imediato e repassa   orientações às mães com relação a respiração. “A maioria dos bebês usam respiradores bucais e tem uma certa dificuldade  quando ocorre  o fechamento do lábio ou da fenda palatina. Auxiliamos no processo de cicatrização, respiração, como massagear o local, entre outras orientações”, explicou.

Quem foi beneficiada pelo serviço no Hospital Geral de Palmas foi a operadora de caixa, Livia Raysa  da Silva, mãe de um bebê de oito meses. Ela conta que descobriu na gravidez que o filho tinha fissura labiopalatina. “Desde a primeira consulta o atendimento foi maravilhoso. O médico me passou tranquilidade, além de diversas dicas incluindo amamentação. O meu filho fez o procedimento cirúrgico mês passado e contou com o cuidado especial da equipe de profissionais. Hoje come muitos alimentos que antes não comia e eu me sinto muito feliz e realizada quando vejo meu filho bem”, disse emocionada.