Saúde

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Os servidores públicos do Estado do Tocantins estão sem receber atendimentos pelo PlanSaúde há mais de mês. De acordo com informações repassadas ao Conexão Tocantins pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Tocantins (Sindessto), a suspensão do Plano de Saúde dos servidores é por causa de uma dívida do Governo superior a R$ 80 milhões com a Unimed Centro-Oeste, resultado do atraso desde o mês de maio. A Unimed é a empresa gestora do plano, contratada pelo governo que faz o repasse para os seus parceiros conveniados, estabelecimentos hospitalares e fornecedores dos serviços de saúde.

Os únicos atendimentos que estão sendo realizados são os de urgência e emergência. No PlanSaúde uma porcentagem é descontada da folha dos servidores mensalmente e outra porcentagem deve ser paga pelo Governo do Estado, complementando. Pela falta de pagamento do Governo, mesmo sendo descontado da folha de pagamento, os servidores não conseguem receber atendimento. A porcentagem descontada sobre a folha varia de servidor para servidor - se é casado, solteiro, pelo salário, etc. 

Em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã desta sexta-feira, 16 de setembro, a presidente do Sindessto, Maria Lucia Machado, informou que o Governo do Estado, representado pelo secretário de Administração, Geferson Barros, não tem honrado compromissos. "Nós fizemos com o doutor Geferson um contrato assinado que ele iria pagar o que estava em atraso, mas o doutor Geferson, a Secretaria (da Administração) não está cumprindo com a data (de pagamento)", informou. 

Segundo Maria Lúcia, foi feita uma assembleia e a assembleia optou pela suspensão dos atendimentos até que ele pague. "Ontem mesmo conversei com ele (secretário Geferson) e ele disse que ia estar pedindo as notas fiscais mas não foi feito o pedido. Então, não tem como você atender porque você tem que comprar remédio, tem que pagar folha de pagamento, tem gastos. Se você não recebe é melhor não continuar atendendo porque vai aumentando o pagamento, vai crescendo a dívida", afirmou. 

Segundo informou o Sindessto, no dia 8 de agosto decidiu-se pela paralisação de fornecimento dos serviços, mas o secretário Geferson sinalizou pagamento até o dia 20, e então os atendimentos foram retomados, até que passou do dia 20 e o secretário não teria cumprido o compromisso. Por decisão, em assembleia, os atendimentos foram novamente suspensos no dia 24 de agosto e o secretário teria sinalizado pagamento dia 13 de setembro, não cumprindo o compromisso até então, segundo Maria Lúcia. 

Ainda segundo Maria Lúcia, os servidores recebem os mais diversos tipos de atendimentos pelo PlanSaúde, entre eles, internação, cirurgia, tratamento de UTI, tratamento oncológico e odontológico. 

Alguns servidores entraram em contato com o Conexão Tocantins para reclamar e relatar a falta de atendimento. "Não estão atendendo nada, nem consultas médicas e nem as odontológicas. Esse mês novamente veio cobrando os valores no meu contracheque. O que devo fazer? Quando vai voltar a funcionar? Por que isso está acontecendo com frequência? Cadê o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública do Estado?", questionou uma servidora. Outro servidor também reclamou dizendo que todo mês o governo cobra a fatura do plano nos contracheques mas não repassa os valores para a empresa gestora do plano. "O plano de saúde dos servidores do Governo do Estado, novamente está suspenso", disse". 

Sisepe 

Também em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã desta sexta-feira, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado (Sisepe/TO), Cleiton Pinheiro, disse que conversou hoje com o secretário da Administração Geferson Barros. "Conversei agora de manhã com o secretário da Administração e ele já esteve com o secretário da Fazenda (Paulo Antenor de Oliveira), ele já liberou os créditos e já está pedindo a nota fiscal dos prestadores de serviços e talvez segunda ou terça-feira a Secretaria da Fazenda já faz o repasse para ele para estar pagando os fornecedores, prestadores de serviços. A Secretaria da Fazenda passa para a Secad que tem mais uns dois ou três dias para processar ( o pagamento aos prestadores)", disse.

Segundo Cleiton, o Sispee vem recebendo muitas reclamações dos servidores. "E notificamos a Secretaria da Administração. Cada vez que atrasa nos notificamos o Estado". Para Cleiton, o PlanSáude gera "bagunça". "O Estado tem vários prestadores de serviços. Ele tem o prestador de serviços físico, o que é pessoa jurídica que são os hospitais e tem os prestadores de serviços que são os dentistas e mais os anestesistas que são separados, ou seja, isso tudo faz com que o próprio Estado atrase um prestador de serviço para poder pagar o outro, o que não justifica porque o Estado arrecada do servidor num todo", afirmou. 

Governo do Estado 

O Conexão Tocantins solicitou posicionamento do Governo do Estado desde a última quarta-feira, 14, mas até o momento não recebeu respostas. O espaço continua aberto para o posicionamento do Governo.