Opinião

Foto: Divulgação Cleiton Pinheiro Cleiton Pinheiro

Na última quarta-feira, dia 05 de outubro, o nosso Tocantins completou 28 anos de história. Uma data em que, naturalmente, paramos para celebrar os avanços e temos a obrigação de refletir sobre o momento presente e o que está por vir. Nós, servidores públicos, estamos aqui desde o início da criação do Estado, dando a nossa contribuição para o fortalecimento das instituições, formando as nossas famílias, impulsionando a economia das cidades, ajudando a construir essa história. Somente no Poder Executivo, somos mais de 34 mil.

Para o servidor, a comemoração do aniversário do Tocantins esse ano perdeu muito do seu brilho, em razão da situação em que nossa categoria se encontra. No próximo dia 07, completaremos 60 dias da Greve Geral e o problema vai muito além do atraso na data-base; são as progressões não concedidas, são as condições de trabalho precárias, são as diárias pagas sempre com atraso, são os repasses dos consignados e do Plansaúde que só são pagos com intervenção dos Sindicatos e da Justiça, é o alto número de servidores contratados com privilégios e salários muitas vezes maiores que os dos efetivos. Enfim, é uma gama de direitos garantidos na legislação vigente que têm sido flagrantemente desrespeitados.

Sejamos realistas. O servidor público que escolheu o Tocantins como seu lar, não tem tido motivos para comemorar. É como se na hora de cantar os parabéns para o aniversariante, a gente olhasse uns para os outros e preferisse protestar silenciando as palmas costumeiras de toda comemoração. Não há clima, não há motivação.

O caos está aí para quem quiser ver. E a culpa é de anos e anos de má gestão, má aplicação dos recursos públicos. É o reflexo da atuação de gestores que foram eleitos pelo povo, para atender as necessidades do povo, mas que têm se preocupado estritamente em dar suporte ao seu projeto de poder, deixando de priorizar o bem estar da coletividade.  

A Greve continua e não é culpa do servidor que a situação tenha chegado a esse ponto. Desde janeiro, estamos tentando chegar a um acordo com o Governo do Estado e nada. O que se vê é um Governo irredutível e obstinado em não honrar com o que a lei garante. Assim, é impossível que se espere outra postura do servidor público que não seja a desconfiança, a indignação e a luta. Continuamos aguardando do chefe máximo da Administração, uma postura firme e uma resposta para todos os impasses que envolvem a nossa categoria. Não dá para fingir que nada está acontecendo e simplesmente entrar na festa, quando, no fundo, não temos motivos para comemorar.

*Cleiton Lima Pinheiro é servidor público desde 1989. É presidente do Sisepe/TO, da NCST-TO, da Assecad e vice-presidente estadual da Fesempre. 

Por: Redação

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