Opinião

A inovação é essencial para qualquer nação preocupada em promover a riqueza e novas oportunidades de negócios. Criar um ambiente que estimule as corporações na busca de novos produtos e serviços deve fazer parte da política pública federal, independente do governo vigente. Por outro lado, as empresas têm na Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) uma ferramenta indispensável para superar desafios, enfrentar crises e conquistar novos mercados.

Nos momentos de crise alcançamos alternativas para melhorar e criar novos produtos, serviços ou processos com o propósito de ganhos de produtividade. E são exatamente nesses períodos que não podemos relegar os investimentos em inovação para um segundo plano. Muito pelo contrário, devemos acelerar e conquistar espaços. O Brasil tem um longo caminho pela frente para competir com equilíbrio com outras nações. Ainda investimos cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. Enquanto isso, os Estados Unidos aplicam no setor recursos na ordem de 2,5% do seu PIB e a Coréia do Sul alcança 4%. 

Por outro lado, dispomos de importantes instituições de referência internacional, com competência no desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas, uma boa infraestrutura e recursos humanos brilhantes, que são essenciais nesse processo e podem contribuir para mudar esse panorama. Segundo dados da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), o país dispõe hoje de 94 projetos de parques tecnológicos ativos, sendo 28 unidades já em operação e 52 em fase de projeto ou implantação. Todo esse patrimônio resulta em 939 empresas instaladas nessas unidades, que criaram mais de 32 mil empregos. A Agência USP de Inovação (Auspin) também criou uma “rede de cooperação” composta por sete polos, onde estão instaladas nos campi de Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, São Carlos e São Paulo.

Avançamos ainda importantes passos com o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que entrou em vigor no início deste ano. Ele contribui para aproximar instituições universitárias e empresas em atividades de P&D, prevendo ainda a redução de impostos para importação de insumos no setor. O código também colabora para acelerar processos de licitação e aumentar o período que as universidades dispõem para projetos de pesquisa e extensão em parceria com as companhias.

Outro importante instrumento já está à disposição das corporações. Elas contam com a Lei do Bem (Lei 11.196/05), uma ferramenta ágil e de uso fácil, criada para as empresas investirem em P&D por meio de incentivos fiscais e tributários.  Uma de suas vantagens é estimular a inovação nas empresas sem a necessidade dessas companhias pedirem autorização prévia de órgãos governamentais para aplicar a dedução. Segundo dados do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações), mais de 1.200 firmas utilizaram-se dos incentivos da nova legislação, investindo R$ 9,25 bilhões em 2014. 

A Auspin quer contribuir com esse debate para unir esforços e acentuar as mudanças para criar um ambiente cada vez mais acolhedor para as inovações no país. Estaremos realizando pela primeira vez na capital paulista o BIN@SP, um encontro que contará com representantes de mais de 70 países. Durante os dias 7 e 9 de novembro, vamos reunir representantes da indústria, academia, investimento, incubação, desenvolvimento de negócios e agência de desenvolvimento econômico para compartilhar boas práticas, conhecimento, além de promover a inovação aberta e a oportunidade de aproximação e negócios. 

O Brasil tem grandes desafios pela frente para melhorar a qualidade de vida das pessoas, como reformas estruturais. Assim como transformar P&D em política pública capaz de promover o desenvolvimento sustentável, incentivando as empresas e instituições de pesquisa a buscarem parcerias e soluções capazes de colocar nossos produtos e serviços como referência internacional. 

* Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, coordenador da Agência USP de Inovação

Por: Vanderlei Salvador Bagnato

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