Educação

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Novembro Negro! Um mês voltado para debates e reflexões sobre a temática étnico-racial. O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, lembra a morte de Zumbi dos Palmares, principal referência de resistência durante a escravidão. Para discutir sobre o assunto, a Secretaria de Estado da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) implementou em suas diretrizes curriculares atividades que abordam a Cultura Afro-brasileira e a Educação Quilombola.

Com o intuito de refletir sobre a diversidade cultural, romper preconceitos e desmitificar estereótipos relacionados ao negro, as escolas da rede estadual de educação no Tocantins estão realizando com os alunos, durante este mês, inúmeras atividades relacionadas ao tema.

Em Paranã, sudeste do Tocantins, durante toda a semana, os servidores do Colégio Estadual Desembargador Virgílio Melo Franco realizaram ações voltadas ao assunto. Os estudantes, e comunidade em geral participaram de palestras sobre A Ditadura da Beleza, Combate ao Preconceito e Racismo, Comunidades Quilombolas, Cultura Afro-brasileira e a Educação Quilombola.

Para a professora de história, Angélica Cristina Santos, “diversas metodologias estão sendo aplicadas como ferramentas para que o aluno reflita e discuta sobre a importância da preservação da cultura, a autoestima, a efetividade da legislação, dentre outras”. Segundo ela, Paranã possui atualmente 10.500 habitantes, e 90% da sua população é negra, esse fator é mais um motivo para trabalhar a aceitação e o pertencimento das pessoas a este grupo.

Divididos em grupos, os 308 estudantes do Colégio Estadual Zico Dorneles, em Juarina, Norte do Estado, realizaram na sexta-feira, 18, apresentações de danças, desfiles, paródias exposições de máscaras, recitaram poemas, cordel e produção de textos com esse tema. Conforme a diretora da unidade escolar, Nivair Camargo Gomes, “durante todo o ano, a equipe pedagógica do colégio trabalha ações que contribuem para  promover a igualdade étnico-racial, porém no mês de novembro intensificamos a temática”, ressaltou.

A estudante de 12 anos, Larissa Rios, explicou sobre a necessidade da ação. “A consciência negra é muito importante, pois aprendemos mais sobre as culturas e entendemos que ninguém é melhor do que ninguém,” concluiu a aluna do 7º ano.

Debates e estudos sobre textos, exibição de vídeos e documentários, produções de textos e poesias, apresentação de seminários e confecção de cartazes foram algumas das atividades desenvolvidas com os alunos do Ensino Fundamental e Médio da Escola Estadual Arcelino Francisco do Nascimento, em Bandeirantes do Tocantins.

“Temos dificuldade em compreender que não há diferença entre nós. Trabalhar o respeito e a consciência nos faz acreditar que no futuro o preconceito será um assunto abordado nos livros, que relatarão apenas sobre a história de uma sociedade”, desabafou Silmara Ferreira, de 15 anos, aluna da 1ª série do Ensino Médio da unidade escolar.

Eduardo Tavares Júnior, diretor da escola de Bandeirantes acredita que “a escola tem como função social e política desenvolver nos jovens um pensamento crítico que resulte em mudanças de comportamento na sociedade”.

Com uma programação extensa, as escolas estaduais de Arraias participam do XX Encontro Estadual de Capoeira. A ação realizada pela Associação Cultural Chapada dos Negros, em parceria com a Seduc, encerra neste domingo, 20, e visa propagar a cultura popular afro-brasileira. 

Com o tema A capoeira tem raízes quilombolas, viva essa arte e promova a equidade racial, o evento trabalhou diversas atividades para propiciar discussões sobre a contribuição do negro na história e no desenvolvimento social. De acordo com o presidente da Associação, José Reginaldo Ferreira, “o evento busca a capacitação dos capoeiristas e o seu fortalecimento, uma vez que essa representação artística já foi marginalizada, perseguida e até proibida por lei. Só a partir de 1940 passou a ser vista como patrimônio cultural do País”.

Aberto a toda a comunidade, em Palmeiras do Tocantins, as atividades serão realizadas pelo Colégio Estadual Raimundo Neiva de Carvalho, no sábado, 26.  Segundo o professor Francisco Carneiro, responsável pelo projeto na unidade, “o trabalho envolve toda a comunidade escolar e contará com apresentações teatrais, danças, músicas, exposição de objetos e degustação de comidas todas voltadas para a origem da sociedade brasileira, e a importância do respeito”.

Brenda Ferreira expressou sua ansiedade com a ação, uma vez que, segundo ela, “é um dia de festa, de interação, e também de aprendizado. Por vários meses ensaiamos nossas apresentações e ficamos apreensivos e ansiosos com o dia do evento, já que todos os nossos familiares são convidados a assistir”, disse a presidente do grêmio estudantil.

Dados

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Tocantins conta com uma população de 1.383.453, sendo que 25,5% declaram-se brancos, 74% pardos e pretos e 0,5% indígenas. Dos 74% considerados negros e pardos, apenas 7,4% deste grupo se assume negro. Atualmente o Tocantins ocupa o 7º lugar dos estados brasileiros com o maior índice de população negra.

No Estado, das 44 comunidades que foram reconhecidas como remanescentes quilombolas, duas são urbanas e 42 são comunidades rurais, em que 90% dos alunos destas comunidades estudam em escolas urbanas, e uma unidade da rede estadual de ensino localiza-se dentro da comunidade quilombola Mumbuca, no município de Mateiros na região do Jalapão.

Segundo Kátia Marques, técnica da Educação Quilombola da Seduc, estas comunidades possuem características culturais próprias e peculiaridades que as distinguem uma das outras. Para ela, “é crucial trabalhar no ensino a Lei nº 11.645/2008 que qualifica a educação para a construção de uma sociedade que conhece e valoriza suas origens”.