Polí­tica

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O deputado estadual José Roberto Forzani (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa na manhã desta quinta-feira, 24 de novembro, para fazer análise dos problemas enfrentados pelo Estado do Tocantins e frisar a necessidade de achar soluções. "É inadmissível que o Estado continue da mesma maneira que está, que o Estado recolha dinheiro dos servidores e não repasse para a atividade fim (no caso do Plansáude). É inadmissível que o Igeprev esteja na situação que está, que o Plansaúde esteja na situação que está, que as estradas, que as obras desse Estado quase todas paralisadas por falta de recursos". 

Antes da sessão matutina de hoje, houve audiência pública com os deputados pela Comissão de Defesa do Consumidor e Serviço Público e Comissão de Administração e Trabalho da Assembleia, para debater com representantes da Defensoria Pública e de servidores públicos do Estado, sobre o Plansaúde - plano de saúde dos servidores do Tocantins, que passa por problemas. "Muitas vezes a gente se assusta com o tamanho dos problemas e o tamanho do desafio que é fazer a correção que precisa ser feita para que as coisas no nosso Estado tomem outro rumo. São atitudes, descontrole que trazem um grande prejuízo para a nossa população", afirmou Forzani na tribuna.  

Na audiência o deputado José Bonifácio disse que os políticos do Estado conseguiram quebrar o Tocantins em menos de 30 anos. Forzani reforçou a tese. "Vamos dizer que em menos de 30 anos nós já quebramos o Estado. Só dívida para Igeprev, para consignado, para Plansaúde, que envolve os servidores, são mais de R$ 1 bilhão de dívidas. Como é que o Estado vai dar conta de pagar isso? Como é que o Estado vai achar as contrapartidas para poder terminar as obras que já iniciou? Como é que o Estado vai pagar o tanto de empréstimos que já pegou? Que já hoje o custo da dívida, se não me engano, ultrapassa R$ 500 milhões. Temos que dar um pare!", defendeu Forzani. 

Para o deputado José Roberto, são milhões e milhões de reais "que fluem pelas artérias, pelas veias do Estado sem nenhum controle, que permite que haja desvios, que permite que haja mau uso do recurso público". O deputado disse ser obrigação da AL ajudar a achar soluções. "Muitas dessas iniciativas ou a grande maioria delas não são iniciativas dessa Casa, são iniciativas do Governo do Estado que já teve tempo mais do que suficiente, essa administração, de tomá-las e não tomou. Mas não é só esse governo, os outros governos também e nenhum teve coragem de enfrentar os problemas e solucioná-los, pelo contrário, ou não fez nada ou tomou medidas que até aprofundam os problemas que nós estamos metidos neles", afirmou. 

Seguridade Social e Atendimento 

Ricardo Ayres (PSB) disse na sessão que a seguridade social, envolvendo a previdência, atravessa momentos difíceis. "Em que se reclama o equilíbrio das suas contas para o cumprimento de suas obrigações para com os servidores no atendimento e o direito que eles tem à aposentadoria e pensões, mas também no que diz respeito a assistência médica hospitalar organizada através do Plansaúde", afirmou. 

Segundo Ayres, nos últimos anos, percebeu-se que o plano de saúde dos servidores deixou de funcionar adequadamente por falta de pagamento aos fornecedores, apesar de recolhimento na folha dos servidores ou ainda, mau uso dos recursos disponíveis. "São itens que possivelmente são superfaturados, são procedimentos que são realizados sem terem nenhum tipo de previsão para o atendimento, são situações que nos deixam estarrecidos", disse. 

Para Ayres, o que mais causa preocupação é o sistema de controle, que deixa a desejar. "O sistema de controle deixa a desejar no que diz respeito ao patrimônio dos servidores, que é o dinheiro que é recolhido mês a mês e que devia lhe dar uma saúde de qualidade para, inclusive, desafogar o Sistema Único que infelizmente hoje continua tão precário", afirmou. 

Eli Borges (PROS) afirmou não entender o porquê do alto índice de retorno de pacientes aos hospitais públicos. "O cidadão vai fazer o seu tratamento na iniciativa privada, porque pode pagar, e resolve o seu problema de maneira muito rápida. Na rede pública ele volta várias vezes", analisou. O parlamentar citou o exemplo de uma criança que há quatro anos tenta fazer uma cirurgia simples e que mesmo após dezenas de retornos, não conseguiu até então o atendimento que precisa. 

Eli defendeu o bom atendimento aos que procuram a saúde pública no Estado. "Quem faz atendimento de saúde está lidando com a dor, com a vida, e tem muita gente fazendo da dor e da vida uma peteca, que joga de qualquer maneira", afirmou.