Educação

Foto: Dirceu Leno

Os estudantes que estavam ocupando o Campus da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Tocantinópolis, no extremo norte do Estado, após 45 dias de ocupação, começaram a deixar o local de forma voluntária, nesta quarta-feira (14). O protesto dos alunos era, entre outros motivos, pela melhoria das condições do campus e pela não aprovação da PEC 55.

A PEC 55, que congela gastos sociais por 20 anos, foi aprovada em segundo turno no Senado por 53 votos a 16, quatro votos a mais do que o necessário, por esta razão, o “Movimento Ocupa UFT” que teve como premissa: “ocupar, lutar e resistir”, decidiu pela desocupação do Campus.

Na nota de desocupação divulgada pelo Movimento, os estudantes agradecem pelo apoio prestado durante esses quarenta e cinco dias de ocupação, afirmando terem lutado bravamente para defender os ideais da classe estudantil, e contrários a todas as imposições de retrocesso feitas pelo governo Temer.

“Infelizmente as pautas nacionais pelas quais lutamos possivelmente não serão atendidas e aqui expressamos a nossa total indignação com os políticos desse país que de forma direta ou indiretamente contribuem para o retrocesso dessa nação e que desprezam a vontade do povo para defenderem interesses individuais”, diz a nota.

Durante a ocupação, os estudantes apresentaram à reitoria da UFT, documento de comprometimento e responsabilidade para com o Campus de Tocantinópolis, onde fora listado uma série de melhorias para o local. O documento foi assinado pela reitora Isabel Auller, a qual se comprometeu a cumprir todas as demandas.

Entre as reivindicações, destacam: a retomada da construção do Campus Babaçu; a reintegração do prédio onde funciona a Escola Municipal Avó Virgilina, cedido à Prefeitura, pertencente à UFT; construção de um restaurante universitário; melhoria da Casa dos Estudantes, dentre outras.

Ainda de acordo com a nota, os frutos da ocupação serão colhidos em longo prazo, entretanto, os acadêmicos têm a consciência de que aprenderam muito e que colaboraram para o fortalecimento do movimento estudantil brasileiro, que ganhou respeito e repercussão internacional. “Muitos diziam que a ocupação não duraria uma semana, e para esses gostaríamos de dizer que: ocupamos e resistimos por quarenta e cinco dias e que realmente não foi fácil chegar até aqui, mas nos orgulhamos de fazer parte dessa luta e de não ter cruzado os braços ao ver os nossos direitos e dignidade sendo roubada”, acrescenta.

O “Movimento Ocupa UFT” finaliza a nota dizendo que o momento foi ímpar e de fortalecimento do Movimento Estudantil do Campus, o qual continuará lutando e acreditando nos seus ideais. “Saímos de cabeça erguida e com a consciência tranquila, pois tivemos a coragem de fazer aquilo que por medo muitos não ousaram em fazer, ‘ocupar, lutar e resistir’”, conclui os acadêmicos.

Com o fim do protesto, as aulas na UFT Campus de Tocantinópolis devem ser retomadas após reunião do Conselho Diretor, onde deverá ser discutida a reposição das aulas conforme calendário acadêmico. A reunião acontece na sexta-feira (16).