Opinião

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Vocês já pararam pra pensar que em toda nossa vida sempre existiu um pentelho nos proibindo das melhores diversões?

Quando somos crianças pequenas descobrindo o mundo, existem dois pentelhos que se acham no direito de nos proibir as coisas mais divertidas que existem.

Ora, você não pode comer doces antes do almoço! Você não pode falar com estranhos, não pode banhar na chuva.

A gente até que tolera essas chatices, porque normalmente, esses dois opressores nos compensam comprando presentes, levando pra passear... e quando ficamos doentes, eles dizem que nos amam.

Haaa... e como é bom aquele cheirinho de mãe... o pai da gente até que é legal também, mas está sempre nos lembrando que se quebrarmos, temos que consertar, se sujarmos temos que lavar e se nos esquecemos disso por duas, três ou quatro vezinhas só, lá vem ele nos recordar das chatices...

Aí, quando crescemos e vamos à escola, liberdade! Agora sim, estamos livres daqueles dois chatos. É o que pensamos até descobrir que aquilo é uma prisão e todos lá estão contra nós e a favor deles.

Lá sim tem gente chata. É um tal de “menino, não bata no colega! Menino, presta atenção na aula”.

Ora, todos sabem que poucas coisas são tão irritantes quanto é ter um enxerido nos fiscalizando. Credo! Afinal, é tão bom ser dono do próprio nariz, sem ninguém pra torrar a paciência da gente.

Mas, não! A gente nunca pode ser inteiramente livre por que tem sempre um chato de plantão nos lembrando dessa montanha de regras. Agora, quem disse que eu não posso andar pelado na rua? Ou ir para o trabalho só quando eu estiver com vontade? A vida é minha, faço dela o que me der na telha, não é?

Espera aí... agora fiquei com vergonha... (Risos!). É que lembrei de uma coisa que li outro dia e, claro, foi escrita por um chato de carteirinha, mas, parece fazer sentido.

Ele disse que nós humanos somos um ser gregário. Nossa natureza nos conduz a viver em sociedade... Vishi... quer dizer que quando nasce um direito para mim, surge do outro lado um dever para alguém? E que quando essa pessoa descumpre esse dever ela fere o meu direito? E quando eu não cumpro o meu dever, firo o direito dela?

Hum... talvez agora essas regras chatas façam algum sentido. É, verdade!

Tá, talvez quem criou as regras não seja assim tão chato, mas, continuo odiando os dedos duros que ficam fiscalizando a gente. Se a gente descumpre as regras, sempre tem um delator para nos entregar... isso é horrível. Que chatice! Caramba, quem gosta disso?

Espera aí, será que é isso? Não... isso é viagem minha. Não pode ser... ou seria isso?

Caramba, quer dizer que todas as vezes que vejo um carro da polícia minhas memórias limitantes são imediatamente acionadas? Fazendo com que todos os sentimentos de frustração e revolta gerados pelas vezes que sofri fiscalização, venham à tona? O policial representa o fiscal, ou aquele que irá exigir o cumprimento das regras? Em resumo, o dedo duro?

Para vai! Quem disse que eu odeio polícia? No máximo, não gosto de me sentir vigiado, cobrado... afinal, quem gosta de alguém que retira sua liberdade, sua individualidade?

A não ser que esses sentimentos se aflorem em mim de forma inconsciente. Mas, isso só aconteceria se existisse uma espécie de gatilho mental que ligasse o policial à figura do dedo duro, daquela pessoa que irá nos exigir o cumprimento das regras, acionando assim, aqueles sentimentos de frustração, causando-nos profunda irritação... será? Mas, nem bandido eu sou!

Aff! Nada a ver... 

*Sérgio Nunnes é especialista em Direito Constitucional, Especialista em Direito Administrativo Militar, Professor Universitário no Curso de Direito, já tendo ministrado aulas no Centro Universitário Unirg (Gurupi), Faculdade Serra do Carmo (Palmas), Faculdade Fapal/Objetivo(Palmas), Faculdade Unest (Paraíso-TO), Professor em preparatórios para concursos públicos, Palestrante, Coach, Autor de Artigos Científicos (Jusnavigandi, Âmbito Jurídico, Editora Plenum), Coautor do livro “Estatuto PM-BM-TO Comentado: Artigo por Artigo”, Subtenente PM/TO lotado no Quartel do Comando Geral em Palmas e Consultor Jurídico.

Por: Sérgio Nunnes

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