Polí­tica

Foto: Divulgação A audiência foi proposta pelo deputado Stalin Bucar A audiência foi proposta pelo deputado Stalin Bucar

A Assembleia Legislativa do Tocantins realizou na tarde desta quinta-feira, 4, a pedido do deputado estadual Stalin Bucar (PPS), audiência pública para discutir o desaparecimento de pessoas no Estado. Na oportunidade, após reclamações de familiares, alguns deputados cobraram ações por parte da Justiça tocantinense. Stalin, que tem um irmão desaparecido, falou da possibilidade de instalar uma CPI na Casa para que as autoridades sejam convocadas. "Para virem aqui nessa Casa dizer o que está acontecendo e porque não está se tendo esclarecimento", afirmou. 

O deputado destacou a responsabilidade do Estado em apurar os casos. "É o Estado que é responsável por apurar os casos, através da Secretaria de Segurança Pública, através de seus delegados, policias de inteligência", disse. Bucar falou da dificuldade em lidar com o caso de uma pessoa desaparecida na família. "Imagina a imagem da pessoa querida e não poder desfrutar da sua presença. O pior é que quando a gente sabe que está morto, que mataram, a gente fica angustiado porque quer pelo menos enterrar o corpo", desabafou. 

Stalin informou que irá providenciar medidas para a instalação de uma Delegacia Especial só para cuidar dos casos de desaparecimentos no Estado. 

O parlamentar Paulo Mourão (PT) criticou a "insensibilidade dos setores governamentais". "Vamos colocar recursos para essa polícia dar resultado nas investigações, nos crimes cometidos no território do Tocantins, que lugar de bandido, de canalha, é na cadeia. E quem rouba uma criança não poderia só ser preso não, que Deus me perdoe. Não existe aceitação para um ato desse", afirmou. 

Segundo Mourão, a cada 11 minutos alguém desaparece no Brasil, sendo mais de 50 mil pessoas ao ano. "E não se tem uma política, não fala de nenhuma melhoria", criticou. O parlamentar sugeriu convidar o secretário de Segurança Pública do Estado, Cesar Simoni, para cobrar ações. 

O deputado Elenil da Penha (PMDB) sugeriu junção da Casa às famílias. "Creio que uma reunião com o secretário de Segurança Pública, com os delegados principais, quem sabe consigamos achar a resposta", frisou. 

A líder do governo, Valderez Castelo Branco (PP) se colocou à disposição para a tomada de iniciativas. "Estou pronta para ajudarmos no que for possível". 

Cedeca

A secretária executiva do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca), Mônica Brito, informou que 184 crianças estão desaparecidas no Tocantins. Mônica cobrou: "Exigimos que esta Casa tome providências concretas. Que daqui saiam providências resolvíveis e que sejam materializadas no nosso orçamento (do Estado)", cobrou. 

O Cedeca cobra a criação de um banco de dados, comitê, agenda politica e apoio jurídico e psicológico às famílias. "Ninguém dá atenção, apoia essas famílias. Não tem programa nenhum programa no Estado para isso", criticou Mônica. A secretária disse ainda que o Centro de Defesa não aceita que o arquivamento dos casos de desaparecimento no Estado. 

Delegada Ausente 

Stalin criticou a ausência, mesmo sendo convidada, da delegada de Proteção a Criança e ao Adolescente, Maria Ribeiro de Sousa Neta, que além de não comparecer na audiência, não apresentou justificativa. "É uma demonstração de falta de interesse explícito porque casos como esses precisam da atenção integral dos titulares dessas delegacias responsáveis", criticou Stalin.