Saúde

Foto: Nielcem Fernandes

Para reforçar as ações de vigilância epidemiológica da tuberculose em populações vulneráveis como indígenas, população privada de liberdade, pessoas com HIV/Aids e população de rua está acontecendo nesta quinta-feira, 8, a Oficina de Fortalecimento da Vigilância Epidemiológica da Tuberculose. A oficina segue até esta sexta-feira, 9, e acontece no auditório do Anexo I da Secretaria de Estado da Saúde, localizado no 4º Andar. 

Conforme a assessora técnica da Área de Tuberculose, Myria Coelho Adati Guimarães, o objetivo é conhecer a magnitude da doença, como os dados de morbidade e mortalidade, a distribuição e fatores de risco para que sirvam de subsídios para a programação das ações de controle.  “Nesta oficina vamos ajudar a trabalhar com indicadores, com o atendimento aos pacientes, porque não é fácil trabalhar com essas populações. Estamos muito felizes porque temos aqui uma representatividade incrível desses profissionais, todos vieram e está sendo muito proveitoso. Está sendo um espaço para apresentação e discussão de temas relevantes para o controle da doença nessas populações”, explicou.

Maria Maviolenes, responsável pela Divisão de Atenção a Saúde Indígena do Distrito Tocantins, disse que a oficina é muito importante porque reúne também os municípios que são referência para as áreas indígenas. “Nós trouxemos para essa capacitação vários profissionais que trabalham nas aldeias. Dentro do Estado do Tocantins temos 2. 500 índios aldeados e fazemos esse trabalho de atenção a esse povo. Além do pessoal que trabalha diretamente com eles, também estão aqui os municípios que são referência para essas terras indígenas e que ajudam no tratamento e na cura dessas pessoas”, informou.

Já a coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Tocantinópolis, Maria Vandecy, disse que atualizar os profissionais beneficia tanto as populações vulneráveis como as demais populações. “Essas ações fortalecem esse tipo de atendimento e com esse apoio temos conseguido fazer nosso trabalho no município”, destacou.

A doença

A tuberculose é uma doença transmissível, crônica, com um período longo de tratamento (seis meses), sendo necessário o acompanhamento e o fortalecimento das ações para seu controle.

De 2012 a 2017, foram contabilizados 868 casos de tuberculose no Estado. Desses, 177 (20,4%) foram contabilizados em população vulnerável, sendo que 62 portadores do vírus HIV foram os mais afetados pela doença, entre os anos citados.  Em segundo lugar estão as pessoas com Aids, com 52 casos de tuberculose registrados; seguidos por indígenas, com 40 casos, e pessoas privadas de liberdade, com 23.  

Sintomas e Transmissão

Alguns sintomas são recorrentes para tuberculose como tosse seca contínua no início, depois com presença de secreção por mais de três semanas, cansaço excessivo, febre baixa geralmente à tarde, sudorese noturna, falta de apetite, palidez, emagrecimento acentuado, fraqueza e prostração.

A transmissão é direta, de pessoa a pessoa. O doente expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. Em torno de 10% dos infectados pelo Bacilo de Koch desenvolvem a doença.

O diagnóstico é feito pelo exame do escarro, chamado de baciloscopia de escarro, pela Cultura para BK (Bacilo de Koch) ou pelo Teste Rápido Molecular pra Tuberculose/TRM-TB, totalmente gratuito nas unidades de saúde.

Pessoas vivendo com HIV/Aids, pessoas privadas de liberdade, indígenas, pessoas com diabetes, com insuficiência renal crônica (IRA), desnutridas, idosos doentes, usuários de  álcool e outras drogas/tabagistas formam grupo vulnerável, propensos a contrair a tuberculose.

Tratamento e Prevenção

O tratamento deve ser feito por um período mínimo de seis meses, sem interrupção, diariamente.  São utilizados quatro medicamentos para o tratamento da doença, ofertados gratuitamente e disponibilizados em toda a rede básica e hospitalar do Estado.

Para a prevenção, utiliza-se a vacinação BCG, prioritariamente indicada para crianças de 0 a 4 anos não vacinadas, com obrigatoriedade para menores de 1 ano. A prevenção também inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar.