Economia

Foto: Divulgação Roberto Pires, abriu o evento em nome dos realizadores Roberto Pires, abriu o evento em nome dos realizadores

A participação cidadã na fiscalização da dívida pública brasileira e a importância da inovação para a gestão foram os temas centrais do Café & Conhecimento, evento realizado na manhã desta quarta-feira, 14/06, no auditório do Cetec/Senai em Palmas. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), Roberto Magno Martins Pires, abriu o evento em nome dos realizadores (ATAD e ATA) e apoiadores como a Federação e o deputado federal César Halum.

“O Brasil nós sabemos é um país de muitas riquezas e potencialidades e, seguramente, nós não deveríamos estar imersos nessa imensa crise se dependesse do que nós somos capazes de construir e produzir. Pra se ter uma ideia, em 2015, de todo nosso orçamento, 43% foi absorvido pela dívida pública e a única auditoria que foi feita para rever estes gastos aconteceu em 1930”, observou o presidente Roberto Pires.

O deputado César Halum, que é membro do corpo diretivo da Frente Parlamentar Mista Pela Auditoria da Dívida Pública com Participação Popular da Câmara dos Deputados, levantou resultados já alcançados em outros países como o Equador. Após auditoria, o país reduziu em 70% sua dívida pública por não encontrar laços documentais que comprovassem sua existência. “Tenho certeza que no Brasil vai ser desse índice para mais. Mas é preciso fazer a auditoria e os governos não aceitam. Nós precisamos resistir a tudo isso”, disse acrescentando que, em 2015, um projeto com esta finalidade foi vetado pela então presidente Dilma Rousseff.

Em sua abordagem sobre a dívida, o economista Rodrigo Ávila trouxe dados de 1995 a 2015 que mostram a evolução da dívida de R$ 86 bilhões para R$ 4 trilhões no período, mesmo com o pagamento de R$ 1 trilhão de reais. Ele integra a associação Auditoria Cidadã da Dívida Pública que propõe a fiscalização por meio da mobilização popular organizada em núcleos por estados (http://www.auditoriacidada.org.br/). “É importante a adesão das pessoas que precisam tomar empréstimos a juros baixos, a pessoa física endividada no cartão de crédito, o comerciante que não tem como recorrer a um capital de giro....somente com a adesão da sociedade nós vamos conseguir fazer essa discussão e provocar obviamente a mudança dessa política”, explicou Ávila, que esclareceu que o núcleo do Tocantins está em formação.

O professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade da Força Aérea (UNIFA), coronel Afonso Farias Júnior, palestrou sobre inovação na gestão, em especial a pública. “As gestões públicas foram se deteriorando. Judicializaram a política e a gestão, mais ainda politizaram a gestão e judicializaram a política”, disse. Ele discorreu sobre o que chamou de estrangulamento onde não funcionam nem a política e nem gestão. “E a inovação vem com ideias, por exemplo, a uberização de todas as coisas. Quando você viaja, você vai lá no Air BNB e busca uma casa, ou se quer fazer um transporte chama um veículo com um serviço de superior qualidade e o menor custo possível. Precisamos esvaziar essa bolha financeira que o país ficou e é a inovação que vai levar a gente pra esse destino”.

Sobre o tema, Roberto Pires reforçou que a Fieto tem disseminado a cultura da inovação no estado trazendo editais importantes para a área, além de promover incentivos como a premiação de empresas que estiverem efetivamente com soluções inovadoras implantadas em evento programado para o 2º semestre.

Participaram do evento pela ATAD, o presidente da associação, Agnaldo Quintino, o diretor da ATA, Walter Viana, o secretário da pasta estadual de Desenvolvimento Econômico (SEDEN), Alexandro de Castro, o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Tocantins, Pedro Ferreira, o presidente da Associação Tocantinense de Municípios, Jairo Mariano, o gerente da Unidade Jurídica do Sistema Fieto, advogado Gedeon Pitaluga, entre outros.