Opinião

Foto: Divulgação Sônia Maria dos Santos Araújo é Ms. Em Educação Sônia Maria dos Santos Araújo é Ms. Em Educação

Em tempos atuais, as discussões a respeito do cyberbullying indicam que a família, a escola e a sociedade necessitam gerenciar de forma efetiva, o uso das mídias eletrônicas por parte de crianças e adolescentes, ou seja, selecionar e monitorar os serviços oferecidos pelos sites mais acessados. Isto porque a violência física pontual, que sempre existiu, principalmente nos intervalos de uma aula e outra ou nos corredores das escolas, evoluiu e contribuiu para uma nova prática, bem mais avançada, com novo nome, diferentes aspectos e consequências para os adolescentes, ou seja, surgiu o cyberbullying.

É uma nova forma de violência que envolve a agressão, humilhação e deixa a vítima sem saber como, quando ou de quem se defender, pois as agressões podem começar e parar logo, mas também podem ser contínuas e sem momento para acontecer. É uma espécie indireta ou mesmo uma evolução do bullying, visto que a agressão física existente neste, agora é substituída pela agressão moral, violenta, intangível via redes sociais e cyber, porque acontece no ciberespaço via tecnologia.

Essa prática nos permite fazer um paralelo entre a agressão física (bullying) e a virtual (cyberbullying), ao se admitir ser a internet um instrumento muito importante na vida humana e tal qual o avião, poder ser usada tanto para o bem quanto para o mal, irá depender da intenção do usuário. É uma evolução das antigas pichações feitas nas paredes, muros ou banheiros das escolas, que causavam risos e comentários entre os estudantes, mas o acontecido ficava entre eles e logo caia no esquecimento. Da mesma forma é quando acontecia uma discussão ou uma briga: os presentes viam o que estava acontecendo, podiam ou não comentar com outras pessoas, mas não passava disto. Mas atualmente não, qualquer acontecimento pode ser filmado, postado nas redes sociais e em questão de segundos, milhares de pessoas, conhecidas ou não, irão ver e comentar as postagens feitas, ou seja, mudaram os métodos adotados, mas as práticas são as mesmas, levando o cyberbullying a se destacar e representar um dos novos crimes no cenário virtual que ganha espaço e inovações a cada momento.

Por constituir uma nova forma de violência, a virtual, o cyberbullying tem causado danos irreparáveis a milhares de vítimas no mundo inteiro através da internet, podendo iniciar com um e-mail ameaçador, difamatório, mensagem com vocabulário vulgar, um comentário ofensivo seguido de insultos, um boato maldoso publicado nas redes sociais e que ganha aceitação dos usuários e logo se transforma numa perseguição sem fim, sempre com a intenção de desestabilizar a vítima diante de um ato criminoso, cruel, covarde e certamente uma tortura psicológica, pois além de não conseguir esquecer as mensagens recebidas e a humilhação vivida, a vítima questiona a si própria na tentativa de obter respostas e saber quem e porque está causando tanto sofrimento a ela.

O protagonista do cyberbullying é o autor, aquele que inicia e dá sustentação com participação ativa para que as agressões persistam e na maioria das vezes, parece possuir mais de uma personalidade, pois num primeiro momento pode parecer amigo e atencioso para com os colegas, mas quando está sozinho, diante de um computador e no mundo virtual, libera sua agressividade e mostra a que veio, causando surpresas e deixando todos de “boca aberta” após ser descoberto. A vítima é quem recebe as agressões, fica exposta a ação de conhecidos e desconhecidos e, constrangida perante os ataques, tenta encontrar uma solução e a opção, na maioria das vezes, é ocultar os acontecimentos, e “fazer de conta” que está tudo bem. E por último temos o espectador, aquele que presencia os acontecimentos, uma figura meio esquecida e, na maioria das vezes considerada de pouca ou sem nenhuma importância, o que é um grande engano, pois sua atuação é o ponto chave para a existência das práticas de cyberbullying.

Todos os protagonistas possuem grande responsabilidade nessa prática, mas a do espectador é bem maior ao constatarmos que o cyberbullying só existe se houver a atuação desse participante. Porque vejam, se o autor enviar uma mensagem falando deste ou daquele colega ou mesmo de um desconhecido e ninguém reenviar esta mensagem, ou seja, se não houver espectador, não haverá cyberbullying, o que leva a concluir que a ocorrência desta prática está vinculada à existência deste protagonista.

Pode-se também fazer um paralelo com um artista encenando um show: ele só fará sucesso, só será bem-sucedido na sua carreira, se houver um público para aceitar e gostar de suas encenações; se houver uma plateia para aplaudir de pé e comentar ou recomendar aquele espetáculo aos amigos ou mesmo aos desconhecidos. Isto nos alerta para a necessidade de termos um espectador consciente, com características implícitas no próprio nome, pois ao ver algum colega lançando mão desta prática, ele deverá chamar a atenção deste, dizer que ele, o colega, está agindo de maneira errada, falar da necessidade de se respeitar e aceitar as pessoas, conduzindo à redução da agressão.

Ainda que inúmeros estudos tenham trabalhado a forma, a extensão e o impacto do cyberbullying, faz-se importante lembrar que tais conclusões irão ajudar a entender somente parte desse quebra-cabeça, isto porque é necessário observar a vivência dos adolescentes; o conjunto de influências que levam a tal “arte” e as ações que podem desencadear ou servir de modelos para novas reações num curto espaço de tempo.

*Sônia Maria dos Santos Araújo é Ms. Em Educação 

Por: Sônia Maria dos Santos Araújo

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