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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Tocantins (Sintet) realizou uma enquete entre os dias 9 e 20 de junho deste ano, no site institucional, sobre Assédio Moral, onde 85% dos profissionais da Educação responderam que já sofreram alguma situação humilhante ou constrangedora, durante a jornada de trabalho.

Uma pesquisa realizada presencialmente pelo Sintet, também neste mês, revelou que 58% dos entrevistados nas Escolas de Tempo Integral (ETIs) da rede municipal de ensino de Palmas disseram ter sofrido assédio moral nas unidades de ensino. A pesquisa de campo foi aplicada em 19 escolas públicas da Capital e teve como objetivo investigar se os profissionais da educação já sofreram ou não assédio durante a jornada de trabalho.

Para o Sintet, a pesquisa vem comprovar a denúncias recebidas no cotidiano. "Não há nenhuma surpresa no resultado da pesquisa que evidencia que os locais de trabalho onde os trabalhadores mais se dedicam como as ETIs e os CMEIs são os principais laboratórios para o assédio moral. Acreditamos que estes casos estão diretamente ligados às ingerências políticas nas unidades de ensino e por isso defendemos o processo democrático para eleição de diretor de escola", disse o presidente do Sintet Regional de Palmas, Fernando Pereira.

Uma professora da rede pública, que não quis se identificar, relatou ter sofrido assédio moral e que chegou a desenvolver uma síndrome do pânico pelo ocorrido. “Tudo iniciou com um colega que começou uma perseguição. Se, às vezes, eu me ausentava, ele ficava atrás. Eu busquei um auxílio na própria secretaria, mas não obtive resultado, então eu fui duplamente assediada. Quando você percebe que a saúde está indo, isso é a maior perda que a gente tem”, contou a vítima.

Segundo a diretora geral da Escola Superior de Advocacia do Tocantins (ESA/TO), professora Gisela Maria Bester, com o aumento das fiscalizações internas e externas ao meio ambiente laboral e o avanço da legislação, existia uma expectativa de que a tomada de consciência sobre o assédio moral iria diminuir a incidência dessa perversa violência cotidiana nos locais de trabalho, tanto dos assédios morais quanto dos psíquicos, mas a realidade mostrou o contrário. "Há exatos 12 anos, quando já muito palestrávamos, orientávamos dissertações de mestrado e tcc's de cursos de especializações e de graduações e publicávamos sobre a temática, tinha essa esperança, mas isso não aconteceu. Por isso a Escola Superior de Advocacia somou-se aos demais organizadores para propiciar à comunidade esse importante e necessário momento de enfrentamento do problema", disse Gisela Maria Bester.

Para abordar os reflexos do assédio moral nas relações de trabalho, também na vida das vítimas e demais violências psicológicas no setor público, será realizado hoje em Palmas, na sede da OAB-TO, o Seminário "Assédio Moral na Administração Pública: Aspectos Médicos e Jurídicos".

O evento é promovido pela Escola Superior de Advocacia do Tocantins – ESA/TO, da Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins- OAB-TO e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins- Sintet, com a parceria da Faculdade de Palmas- Fapal e do Instituto de Ensino e Pesquisa Objetivo.

As inscrições podem ser feitas no site do Sintet e da ESA-TO. O investimento para participação será a entrega de 1 kg de alimento não perecível, exceto sal.

Confira a programação completa pelo link: http://esa.oabto.org.br/eventos/39/seminario-assedio-moral-na-administracao-publica-aspectos-medicos-e-juridicos.

Dados completo da Pesquisa:

A pesquisa de campo foi aplicada nas escolas públicas de Palmas (redes estadual e municipal), realizada por amostragem, colheu cerca de 100 entrevistas em 19 escolas de Palmas. Os trabalhadores em educação foram questionados primeiramente se sabiam o que é assédio moral, sendo que 100% responderam que sim.

58% dos entrevistados nas Escolas de Tempo Integral (ETIs) da rede municipal de ensino de Palmas responderam que sofreram ou presenciaram assédio moral. 

- 48% dos entrevistados dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) responderam que sofreram ou presenciaram assédio moral;

- 38% dos entrevistados das Escolas de Tempo Integral do Campo (Zona Rural) responderam que sofreram ou presenciaram assédio moral;

- 28% dos entrevistados das Escolas Estaduais responderam que sofreram ou presenciaram assédio moral;

- 17% dos entrevistados das Escolas Municipais responderam que sofreram ou presenciaram assédio moral;

Quanto ao afastamento por questões de saúde motivado por assédio moral:

Na Rede Municipal, 35% já se afastaram. Nas ETIS do Campo, 25%. Nos CMEIS, 20% e na Rede Estadual, 5%.

Por: Redação

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