Polí­tica

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O senador Renam Calheiros (PMDB/AL) renunciou ao cargo de líder do PMDB no Senado e disse em sessão plenária na tarde desta quarta-feira, 28, que o deputado federal cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), preso desde outubro de 2016, continua mandando no governo de dentro da cadeia.

Na oportunidade, Calheiros afirmou devolver agradecido o encargo. “Devolvo agradecido aos meus pares, o honroso encargo que me confiaram e que procurei exercer com a dignidade merecida, sempre orientado pelos objetivos mais permanentes do País”. Porém, o senador disse não estar disposto a liderar o PMDB atuando contra os trabalhadores e os estados mais pobres da Federação. Em palavra especial ao povo de Alagoas, Calheiros afirmou estar se libertando de uma âncora pesada e injusta.

Seguindo seu posicionamento, criticando o governo de Michel Temer (PMDB), o senador Renam Calheiros frisou que permanecer na função significaria ceder exigências de um “governo que trata o partido como departamento do poder executivo e optou por massacrar trabalhadores e aposentados”, disse.

Perseguições/Marionete

De acordo com o senador Calheiros, os tempos mudaram e com o tempo surgiram perseguições. “Ingressamos num ambiente de intrigas, provocações, ameaças e retaliações impostas por um governo, suprimindo o debate de ideias e perseguindo parlamentares que não rezam na cartilha governamental, chegando ao ponto de tentar impedir a discussão e alteração aqui no Senado, da chamada Reforma Trabalhista”, chegou a dizer.

Renam disse não servir para marionete. “Estamos diante da degradação do bicameralismo, com a imposição da vontade de uma casa a outra, sobretudo quando essa vontade é contrária aos direitos das pessoas mais pobres. Cabe-nos aceitar a situação ou reagir a ela. De minha parte, não tenho a menor vocação para marionete”, afirmou.

Renam também disse que o Governo Temer não tem credibilidade para conduzir as reformas que, segundo Calheiros, são exageradas.

Mandando de dentro da cadeia

Renan atacou uma suposta influência direta do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha no governo Michel Temer. De acordo com Renan Calheiros, os últimos acontecimentos comprovam a total influência de Cunha no governo. “É compondo lideranças no recesso do carnaval, nomeando ministros, dando as ordens diretamente do presídio e apequenando o presidente cuja República periclita em suas mãos", disse.

Sobre o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Renam ainda foi enfático: “Como mudar o pensamento de um Governo comandado por Eduardo Cunha, que mesmo na prisão seguia influenciando e os fatos demonstram, até recebendo dinheiro?”, questionou.

Renan citou a possível intenção do governo Temer em substituir a advogada-geral da União, Grace Mendonça, por um nome defendido por Eduardo Cunha. "Foi obrigado por força de outra atitude atabalhoada a recuar na iminência da decisão", disse.

O senador ainda disse que Cunha queria colocar o atual subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, na AGU. Ele atuou como advogado do deputado.