Campo

Foto: Delfino Miranda

Após conseguir baixar em 57% a incidência de novos casos de Mormo, doença infectocontagiosa, no plantel equídeo (equinos, asininos e muares), saindo de 16 animais positivos em 2016 para apenas sete registros em 2017, a Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) passa a autorizar por meio da Portaria nº 330/2017, de 20 de dezembro de 2017, a realização de eventos cadastrados em todo o Estado, que possam ser fiscalizados pelo órgão. Desde 2015, quando surgiu a doença no Tocantins, até o momento, 80% das propriedades focos já foram saneadas, ou seja, das 20 envolvidas, em 16 já foram concluído o processo.  

Com a decisão, apenas ficará suspensas eventos abertos (cavalgadas e tropeadas) nos municípios de Sandolândia, Palmas e Formoso do Araguaia, onde ainda há propriedades passando pelo saneamento. Além disso, nos municípios onde há determinação judicial, pois prevalecerão as disposições daquele juízo. “Consideramos um grande avanço resultante de um trabalho efetivo de controle da doença, da conscientização de produtores rurais e da sociedade em geral, além do envolvimento de parcerias por meio de palestras, orientações técnicas e reuniões para setores específicos”, disse o presidente da Adapec, Humberto Camelo complementando ainda que “O objetivo é tornar o Estado livre novamente da doença, priorizando ações para preservar a saúde animal e humana”, pontuou.

O Tocantins conta com 271,9 mil equídeos, o trânsito de animais pode contribuir para disseminação da doença e infecção de outros equídeos. Portanto, as aglomerações só poderão ser autorizadas após vistoria dos técnicos da Adapec, além disso, para realizar o trânsito desses animais é obrigatório apresentar a emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA), exames negativos e dentro do prazo de validade para Mormo e Anemia Infecciosa Equina (AIE). Em caso de participação em eventos pecuários, além destes exames citados é preciso apresentação da comprovação de vacinação contra Influenza.

Desde o surgimento da doença no Estado, a Agência já realizou 2.323 exames de sangue em equídeos para envio de laboratório. “A doença até então desconhecida por muitos, assustou, causou polêmica em decorrência da suspensão de eventos pecuários em alguns municípios e pelas medidas judiciais. Mas, a sua gravidade exige ações rigorosas, pois não tem cura em animais, além de poder ser transmitida ao homem, podendo levar à morte”, explica o responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Equídeos da Adapec, Raydleno Mateus Tavares. As legislações estadual e federal prevê a obrigatoriedade do sacrifício de animais positivos e saneamento das propriedades focos.

Saneamento

O saneamento das propriedades focos fazem parte das medidas de controle e erradicação da doença, além disso, os municípios focos e limítrofes são submetidos a investigação epidemiológica. O processo consiste na realização de dois exames sucessivos de todo o plantel, com intervalos entre 45 e 90 dias, e os resultados devem ser negativos, caso haja algum positivo, deve-se repetir os exames e cumprir o mesmo prazo novamente. Além disso, são feitas investigações epidemiológicas para levantar possíveis contatos e eventuais ocorrências de novos casos.