Polí­tica

Foto: Adenauer Cunha Ciro Gomes, Kátia Abreu e Carlos Lupi durante entrevista coletiva Ciro Gomes, Kátia Abreu e Carlos Lupi durante entrevista coletiva

A filiação da senadora Kátia Abreu ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) foi marcada pela presença do pré-candidato à presidência Ciro Gomes e do presidente do partido Carlos Lupi em Palmas. Nesta segunda-feira, 2, as lideranças concederam entrevista coletiva à imprensa no gabinete da senadora na capital.

Kátia Abreu deu início à entrevista declarando de antemão que irá aguardar a resolução do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) para falar sobre sua pré-candidatura ao Governo do Estado do Tocantins na eleição suplementar que deverá ocorrer no mês de junho. A senadora, entretanto, disse que continua acreditando na viabilidade de sua candidatura mesmo que não tenha seis meses de filiação partidária.

De acordo com ela, a constituição exige apenas que, para se candidatar, o candidato deve estar filiado a um partido político, porém, sem estipular prazo. “Esse prazo foi remetido para uma lei ordinária que é a lei conhecida como “Lei dos partidos,” e é justamente esta lei que tem sido mudada ocasionalmente por resoluções do TRE quando acontecem eleições suplementares. O que estou dizendo é que acho muito difícil alterar o prazo da Constituição Federal [para desincompatibilização de cargo do poder executivo] mas não acho impossível alterar os prazos da lei ordinária”, afirmou.

Questionada sobre a possibilidade de apoiar outro candidato caso ela não possa, ou resolva não se candidatar à eleição suplementar, a senadora disse que, caso o outro candidato que pleiteie seu apoio não tenha um projeto de governo consistente ela não o apoiará. “Se eu encontrar um projeto que fale mais alto que o meu, eu vou aplaudir e irei apoiar, mas, mesmo ficando fora da suplementar, eu não tenho obrigação de apoiar qualquer projeto que eu não considere defensável. Eu irei me isentar desse apoio”, declarou.

Liberdade

Pelo tom da conversa durante a entrevista parece claro que Kátia Abreu terá liberdade para articular as alianças políticas que julgar necessárias para se alçar ao cargo de governadora.

O presidente do partido, Carlos Lupi, tomou o microfone ao final da entrevista para declarar que o PDT deu carta branca para que a pré-candidata faça seus acordos políticos no Tocantins.

“A senadora Kátia tem total liberdade e apoio do PDT para fazer qualquer aliança que viabilize a candidatura dela. Isso a gente já deixou claro para ela desde o primeiro momento da filiação", afirmou Lupi.

Crise Política

Tanto Kátia quanto Ciro Gomes falaram sobre a recente onda de radicalismo que tem tomado conta do discurso político e dominado os debates em redes sociais na internet e a crise política no País.

A senadora disse que um dos motivos por ter escolhido se filiar ao PDT foi o posicionamento do partido mais ao centro do espectro político.

“Eu não pretendo ser radical de lado nenhum, nem de esquerda nem de direita, porque tenho convicção de que o radicalismo é parente da ignorância. Quero respeitar o que cada um pensa, mas quero me posicionar ao centro.” Pontuou a senadora.

Ciro por sua vez criticou os episódios mais recentes envolvendo o presidente Michel Temer e seus aliados mais próximos. Para o pré-candidato a recente crise só vai acabar com as eleições em outubro.

“A imprudência começou lá atrás. Como é que pode alguém que o conhecia bem, como eu e o Lula, permitirmos que o Temer chegasse à linha de sucessão do Brasil? Todos eles vão acabar presos”, criticou Ciro.

Bolsonaro

Sobraram críticas também ao polêmico pré-candidato á presidência Jair Bolsonaro (PSC.) Ciro aproveitou a ocasião para avaliar a escalada populista de Bolsonaro em direção ao Palácio do Planalto.

“O Bolsonaro é só isso... um ato de repulsa de uma fração da sociedade brasileira que cansou da política. Mas ele não é nenhuma novidade e para nossa sorte ele é o mais despreparado. Ele chega a ser patético e espero que a sociedade brasileira veja isso”.

Requião

Além de Ciro e Lupi também esteve presente o senador e presidente do PMDB do Paraná, Roberto Requião. O senador disse que fez questão de participar do evento devido ao respeito e admiração por Kátia. “Ela não é do meu partido, mas ela é uma nova perspectiva ao Tocantins neste momento”, manifestou Requião.