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Produtores em visita à Fazenda Campeira. Ao fundo, área cultivada com Sorgão Gigante.

Produtores em visita à Fazenda Campeira. Ao fundo, área cultivada com Sorgão Gigante. Foto: Railton de Azevedo Rocha

Foto: Railton de Azevedo Rocha Produtores em visita à Fazenda Campeira. Ao fundo, área cultivada com Sorgão Gigante. Produtores em visita à Fazenda Campeira. Ao fundo, área cultivada com Sorgão Gigante.

Custear a transformação de uma área degradada em produtiva vem sendo a pedra no sapato de muitos pecuaristas brasileiros na busca por rentabilidade na atividade. Em tempos de arroba em baixa e margens curtas, o investimento em uma renovação convencional fica ainda mais pesado no bolso do produtor. No entanto, estudos de empresas públicas e privadas começam a oferecer alternativas que, além de bancar o procedimento, ainda reforçam o caixa da fazenda.

Uma delas, altamente sustentável, foi apresentada no último dia 4 de abril no Tocantins, pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado (Ruraltins) em parceria com a Agrominas, Latina Seeds e Banco da Amazônia. O dia de campo “Renovação de pastagem consorciada com Sorgão Gigante para silagem”, realizado na Fazenda Campeira, no município de Itacajá, apresentou uma solução que gera duas fontes de nutrição bovina justamente para o período de maior restrição alimentar: os meses secos, sem chuva.

O cultivo consorciado de Sorgão Gigante AGRI002e com o Panicum Miyagui permitiu, a partir da colheita do ‘cereal biomassa’, uma produção estimada de 60 t/ha de silagem (volumoso). Na sequência, a mesma área entrega ao produtor uma pastagem renovada (com o capim Miyagui) e produtiva, graças aos tratos agronômicos na implantação e também ao alto poder de enraizamento profundo do Sorgão Gigante. Este predicado, em especial, reforça a sustentação da biota de solo (conjunto de seres vivos que lá vivem) e contribui para a descompactação, aeração, hidratação, nutrição e estabilidade produtiva.

De acordo com Raulino Noleto, técnico agrícola extensionista do Ruraltins, o intuito é que o produtor possa vender a silagem, custear o processo, obter um pasto de qualidade e ainda colocar dinheiro no bolso: “O custo geral médio da implantação do sistema, incluindo a produção de silagem foi de R$ 5.600/ha. Por aqui, o preço da tonelada da silagem varia entre R$ 350 e R$ 600 a depender da época. Sua comercialização, portanto, paga fácil a renovação”, observa.

Seguindo o seu raciocínio e considerando o menor preço (R$ 350) e uma produção esperada de 60 t/ha, a venda da silagem renderia um valor bruto de R$ 21 mil/ha. Deduzindo o custo de implantação do sistema (R$ 5.600/ha), o pecuarista ainda teria um rendimento líquido de R$ 15.400/ha.

O modelo apresentado pelo Ruraltins é bem semelhante ao Sistema Diamantino, tecnologia em fase final de validação pela Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS) em parceria com a Latina Seeds e utilizando o mesmo Sorgão Gigante avaliado no Tocantins. Nos experimentos científicos foram usados consórcios com os capins Zuri (Panicum) e Marandu (Braquiária) em espaçamentos de 45 cm e 90 cm. Em Tocantins, o espaçamento entre linhas foi de 50 cm e a forrageira do consórcio foi o Panicum Miyagui. “Nossa expectativa é de que o Sistema Diamantino seja validado e lançado oficialmente ainda este ano”, projeta o diretor-executivo da Latina Seeds, Willian Sawa.

Além da apresentação técnica, os participantes do dia de campo visitaram talhões cultivados com o Sorgão Gigante AGRI002E e com o Sorgão Forrageiro AGRI001E. A área com os materiais da Latina Seeds na Fazenda Campeira totalizou 10,8 hectares e foi semeada entre os dias 04 e 22 de janeiro deste ano.