Editorial

O Brasil perdeu uma de suas mais eminentes e polêmicas figuras políticas. ACM ou "Toninho Malvadeza", alcunha estigmatizada por seus adversários e pela qual era conhecida em todo o país, morre e deixa como legado a demarcação clara de uma ação política ortodoxa e conservadora.

Neste sentido, o político que trazia na alma os sinais deletérios do pelourinho sempre foi uma referência, ponto antagônico da energia política a ser dissipada pelas forças progressistas deste país. ACM era um legítimo representante da elite manipuladora, discipulada ao longo dos séculos nas escolas que se fizeram desde o Brasil colônia, legítimos aprendizes da força autoritária da coroa que manteve agregado à custa da força este enorme pedaço de chão, impedindo a fragmentação em pequenas nações.

Não há, portanto, porque condenar as bases e princípios ideológicos que permearam o discurso e ação do Carlismo no Brasil. São forças conservadoras que se fazem necessárias no jogo democrático. Sem elas a nação pode se tornar um airbus sem freio. É preciso entender, que a política e a sociedade evoluem em um movimento dialético onde o outro jamais deixará de ser a referência.

Portanto, o valor deste homem e político que marcou a cena do Brasil por meio século com sua língua afiada, palavras cortantes como navalha, doídas como a chibata, não deve ser questionado, muito menos espezinhado como fez o professor Elisio Lopes Gonçalves Secretário do PSOL no Tocantins, em nota enviada a imprensa. É muito fácil usar de palavras deselegantes e inoportunas contra quem jaz sem vida e não pode responder à altura, ou quem sabe nem responder, tal a insignificância de seu oponente.

Antônio Carlos Magalhães teve de norte a sul notas de pesar de políticos da direita e também da esquerda com quem sempre travou embates. Todas reconhecendo seu valor, aqui no Tocantins, no entanto, demonstrando uma visão provinciana, um líder partidário, e, pior ainda, com formação acadêmica, escarneceu e soltou vitupérios. Não é assim que se faz política responsável, que possa conduzir a sociedade a um ponto de equilíbrio.

A política funciona como um cabo de guerra elástico, onde as forças sociais aplicadas e em diferentes estágios sempre se movem, ora expandindo-se, ora contraindo-se. O que faz o jogo perigoso é quando os radicais de um lado ou do outro entram em campo esticando tanto, a ponto de gerar rupturas. Já tivemos uma à direita, da qual até hoje sentimos seus efeitos nefastos. Há teóricos das ciências sociais que dizem que se leva décadas até tudo se dissipar. Não precisamos de radicais à esquerda, defensores de rupturas, a ponto de se destemperarem.