Editorial

Na manhã desta sexta-feira, 09, durante o seminário do Democratas, realizado no auditório da Associação Tocantinense de Municípios – ATM, o assessor de imprensa do deputado Paulo Roberto (DEM) e proprietário de veículo de comunicação, Trajano Coelho Neto II procurou-nos para perguntar se não iríamos retirar a matéria"Ex-prefeito de Taguatinga (TO) e atual deputado condenado a ressarcir cofres públicos (clique aqui) "do site e qual era o nosso interesse em mantê-la. Informamos que se a tirássemos, teríamos que retirar todas as outras notícias. O assessor então disse em tom coercitivo próprio dos coronéis antigos do sertão e dos bravateiros provincianos da atualidade, “não vai tirar né?”. A terceiros teria dito, “vou deixar para o deputado resolver”.

Claro que se retirássemos a notícia, esta seria uma situação em que estaríamos praticando autofagia midiática, atentando contra nossa própria razão de ser. Qual o sentido jornalístico de se publicar algo que logo a seguir será deletado? O jornalismo é um olhar sobre a história acontecendo. Cabe a nós relatar da forma mais objetiva possível, abrindo espaço para que todos os lados possam se posicionar.

Não precisaríamos nem dizer que o interesse em manter a notícia no site, além das questões já explicitadas, é jornalístico, pela relevância dos fatos, por se tratar o deputado e ex-prefeito de Taguatinga de pessoa pública. Mas ao que parece o assessor, por não ser um jornalista que tenha passado pelos bancos de uma universidade de comunicação se perde no labirinto comunicacional moderno, dando provas de que Ética é uma disciplina que desconhece.

Este é o grande problema que advêm de profissionais sem formação acadêmica atuando em uma área em que o fazer comunicacional está em completa ebulição. Pela miopia e falta de conhecimento, assumem uma postura arrogante e imaginam que os outros são de sua mesma estirpe. Tergiversam palavras e períodos da norma culta, iludidos de que tão pouco basta para ser jornalista.

Jornalismo vai muito mais alem. É interesse social, é inquietação, é relevância da informação, é olhar o mundo por vários ângulos, para tirar daí a meia medida que é a razão de seu tempo. É estar ciente da história e do pretérito, sem descolar os olhos do futuro e das novas interações sociais que clamam por uma nova ordem com mais justiça social, democracia e modernidade.

O Estado do Tocantins melhorou muito de 2006 para cá. Respirou ares de liberdade e modernidade e temos plena convicção disto, até porque partiu de um artigo escrito por este escriba o alerta à assessoria de comunicação do atual governo que o levou a construir o discurso do Moderno e Democrático. Este discurso de lá para cá entremeou-se no meio da sociedade tocantinense e seus anseios.

Para aqueles que possam estar se perguntando; de onde surgiu este maluco? Digo com todo regozijo da alma, leiam o artigo “PMDB e a articulação dos Miranda” escrito na edição impressa do Conexão Tocantins que foi às ruas na semana do dia 29 de agosto à 5 de setembro de 2005. Naquela oportunidade chamamos a atenção para que se mostrasse o governador como um modernista e o fizemos com o heterônimo Nero Magalhes para nos camuflar diante da ameaça panóptica que ainda representava naquele momento aquele que incorporou o símbolo do conservadorismo, autoritarismo e atraso.

Na segunda semana de janeiro de 2006 aflorou por todo o estado a tríade publicitária “Moderno, Democrático e Humano”, este discurso tomou conta da sociedade, até a lojinha varejista da esquina fazia sua publicidade dizendo que suas mercadorias eram as mais modernas. As discussões polarizaram entre o novo e o velho, e um novo tempo se abriu. Ambiente fértil para estudos sociológicos e dos comunicólogos.

Levado o velho ao ostracismo pela vontade popular, percebemos que muitos dos seus discípulos ainda hoje percorrem os porões da Assembléia Legislativa. O Conexão Tocantins vê com preocupação o policiamento da imprensa tocantinense que se dá principalmente pela força econômica.

O Tocantins precisa acabar com este ranço espúrio do conservadorismo e atraso daqueles que tem alergia a liberdade de expressão. Este estado precisa se modernizar para valer, não apenas nos discursos oficiais e publicitários, mas também nas ações de toda sua gente. Engraçado é já ter ouvido de um deputado, que não preciso dizer, que se o jornalistafica indo atrás de denúncias ele não trabalha.

Esta situação constrangedora e arrogante patrocinada pelo egocêntrico assessor parece ser um modus operandi, pois outro site de noticias da capital também já provou de seus “conselhos”. Entretanto fica aqui um aviso ao nobre assessor, nossa linha editorial não esta à venda e não somos mercenários da informação.

A seguir cópia de troca de email’s entre um estagiário do site Vitrine do Tocantins e Trajano Coelho.

Boa tarde Sr. Trajano Coelho, meu nome é Fernando e eu faço parte da equipe do site Vitrine do Tocantins (www.vitrinedotocantins.com.br). Nós veiculamos uma matéria que fala sobre a condenação do então deputado Paulo Roberto pelo TCU. Gostaríamos de saber se você pode nos informar qual a posição do deputado diante do fato e damos espaço no site para defesa do mesmo. Segue abaixo a matéria na íntegra. Desde já agradeço a atenção e faço votos de sucesso.

Senhor Fernando,

Cumpre-me respeitosamente informa-lo, que deputado Paulo Roberto está em pleno exercício do mandato. Chamado erroneamente de " então deputado" no e-mail enviado, fato que comprova a ausência de conhecimento do veículo por vossa senhoria representado, que ao praticar sensacionalismo, buscando ser vitrine, incorre em erros primários de avaliação.

A defesa do deputado para o processo do TCU está sendo feita por sua assessoria jurídica, o que significa que à posição prévia do tribunal cabem os recursos previstos em lei, e que qualquer julgamento sem que a questão seja transitada e julgada, poderá incorrer em ação judicial e a devida reparação.

O recurso de defesa do deputado Paulo Roberto será impetrado na próxima sexta-feira e cópia do mesmo será enviada à Vossa Senhoria para ciência e publicação, no mesmo molde e espaço da denúncia.

Cordialmente,

Jornalista Trajano Coelho Netto II

Assessor de Comunicação do Deputado Estadual Paulo Roberto

Bom dia Sr Trajano Coelho,

Inicialmente quero apresentar minhas escusas pelo lapso cometido . Por descuido, ao invés de usar a qualificação "prefeito" usei a de "deputado".

Acredito não ser assim um pecado mortal tal como foi considerado, já que na matéria , que é o mais importante, todas as qualificações foram devidamente colocadas a termo. Mesmo assim desculpo-me mais uma vez.

Permita-me discordar da qualificação ao site Vitrine dada por vossa senhoria de "sensacionalista" . Não é um procedimento usual do site, pois a nossa linha editorial felizmente não pertence a grupos ou se dá a este propósito.

O que fizemos foi usufruir do direito a repercussão dos fatos e o fizemos, tenho certeza, de forma responsável, preservando a integridade da notícia.

Nosso espaço, caso queira, continua aberto como foi anteriormente manifestado, nas mesma proporções de divulgação.

Atenciosamente,

Fernando Alves de Oliveira

Vitrine do Tocantins

Veja a fonte original da notícia que trata da condenação veiculada no site do Ministério Público Federal www.prto.mpf.gov.br/intro.php